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Expresso

O sobe de desce da TINA

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A oposição a este governo não se faz com base numa divergência pública em relação aos objetivos definidos. Faz-se com base na famosa TINA: “There is no alternative”. O que quer dizer que a oposição depende totalmente da existência de condições externas contrárias à vontade do governo: uma recusa do orçamento por Bruxelas, a subida das taxas de juro na Europa, uma mudança de notação da DBRS que retire a Portugal o financiamento do BCE ou uma frase de Schäuble que faça os mercados acreditarem que Portugal passará à condição de proscrito. E basta um sinal de qualquer uma delas pode acontecer para se instalar um extemporâneo ambiente de histeria. Seja porque o desejo de alguns verem o país estatelar-se (para provar que não havia realmente alternativa) é tal que não controlam a excitação, seja porque é preciso empolar cada contrariedade para dar a sensação de caminhada para o abismo. O problema é que o sobe de desce da TINA assusta mas não mobiliza. Pode matar uma alternativa, mas a desesperança não atira as pessoas para os braços de quem a alimenta

Há cinco anos que repetimos o mesmo debate. As variações das taxas de juro da dívida dos vários países europeus em crise têm sido, tirando alguns picos especiais, paralelas. Desceram entre maio de 2012 e maio de 2013, ao mesmo tempo que todas as metas definidas no memorando da troika falhavam. Desceram a partir de maio de 2012 porque o BCE deixou claro que faria tudo para garantir a coesão da zona euro e anunciou as OMT. Terão subido, a partir de maio de 2013, talvez por causa do anúncio falhado de que a Reserva Federal Americana poderia diminuir o ritmo de compra de títulos e não por causa da crise do “irrevogável” ou da decisão do Tribunal Constitucional relativa ao Orçamento de Estado, que foram depois e antes desta variação, sem terem na altura afetado os juros. No ano passado, o maior risco para a nossa taxa de juro aconteceu no verão, por causa da crise grega. O chumbo do governo da coligação PàF e a passagem do governo minoritário apoiado por partidos que se opõem à obediência a Bruxelas não chegaram para fazer as taxas ultrapassar os 3%. É isto que valem as circunstâncias internas para as taxas de juro da nossa dívida.

Não nego que há um impacto de questões internas nas variações das taxas de juro. Geralmente são picos muito localizados que rapidamente entram em linha com o que se passa na Europa. Coisas que duram dias e raramente contraditórias com o cenário geral. Como sabem, a Europa vive um momento de ansiedade por causa das nuvens negras vindas da China, da crise nos países produtores de petróleo e dos riscos de uma nova crise financeira causada, desta vez, pelo Deutsche Bank e pela situação económica da Alemanha. O que torna especialmente caricato ouvir Wolfgang Schäuble dizer que “Portugal não pode continuar a perturbar os mercados". É como a anedota do elefante que corre com uma formiga em cima. Só que neste caso é o elefante que diz à formiga: “já viste a poeirada que estás a fazer”.

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