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Expresso

EUA: Alguma coisa está fora da ordem

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A degradação da imagem do mainstream Democrata e transformação do Partido Republicano num “freak show” de televangelistas, milionários excêntricos e ultraconservadores semianalfabetos pode conduzir os EUA a um enorme sobressalto políticos. Um de dois, na realidade: ou ainda teremos saudades de George Bush, de tal forma o seu sucessor republicano na Casa Branca ultrapassará os limites da sanidade política; ou, perante a incapacidade dos democratas tradicionais confrontarem os poderes financeiros e a ausência de uma alternativa aceitável dos Republicanos, os EUA terão um presidente socialista, muito distante do que é o consenso social do país. Uma e outra situação não resultariam de uma fractura insanável na vida política americana, com campos radicalizados e incapazes de dialogar entre si. Resultariam do descrédito do centro político. Na realidade, a mesmíssima coisa está a acontecer na Europa

Apesar de ter aderido ao Partido Democrata apenas em 2015, depois de uma longa e bem sucedida carreira política como independente (mayor da maior cidade de Vermont, congressista mais vezes eleito como independente e senador reeleito com 71% dos votos), Bernie Sanders representa uma tradição progressista e social-democrata que faz parte da tradição do Partido Democrata. Ela funda-se no legado deixado pelos socialistas que, à volta do pragmático e nada radical Roosevelt, arquitetaram o New Deal. Na luta contra a brutal desigualdade na distribuição de rendimento, pelo serviço público de saúde, pelos direitos das minorias e uma política ambiental responsável, Sanders nada tem de excêntrico para os democratas. Representa uma parte da sua história. A parte mais compreensível para a esquerda europeia, aliás.

Não há nada que Sanders diga que possa ser chocante para uma pessoa normal, mesmo que dele discorde. Apesar de ter chegado a ser da Liga Socialista dos Jovens, não defende a nacionalização da economia ou a colectivização das terras. Sendo um homem bastante à esquerda para a cultura norte-americana (mas não tanto para os europeus), as suas posições estão dentro do que é comummente aceite em democracias capitalistas.

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