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Expresso

A TAP já não terá o destino da PT

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Há muita gente que acredita que os compradores da TAP, que a compraram a horas de um governo que não tinha apoio da maioria parlamentar ir embora, tencionavam pagar o cão com o pelo do cão. O que existia até agora era isto: daqui a dois anos o Estado estaria definitivamente fora da TAP. Recebia 20 milhões e ia à sua vida. Qualquer coisa que quisesse impedir só o poderia fazer através dos tribunais. Com o acordo conseguido, que não corresponde aos objetivos de Costa e seguramente fica longe do que eu gostaria que tivesse acontecido (a nulidade de uma venda que me levanta todas as dúvidas), o Estado fica na TAP, tem o poder para bloquear vendas muito relevantes de património e pode impedir o que muito provavelmente iria acontecer: que a TAP tenha o mesmo destino da PT. E isso faz toda a diferença

O governo devolveu 1,9 milhões de euros para reaver parte das ações da TAP. Não pagou nem mais um cêntimo por isso. E assim passou de 39% das ações (que incluíam as 5% dos trabalhadores) para 50%. Não são os 50% mais uma, como António Costa desejava, “a bem ou a mal”. E é por isso que é difícil falar de uma vitória política. Mas também se desmentiu a ideia, deixada de forma clara pelos acionistas privados, que nunca ficariam na TAP se não tivessem a maioria. Não têm e ficaram. E basta que um único trabalhador da TAP venha a comprar uma ação da empresa para que, na Assembleia Geral, o Estado seja maioritário.

No acordo assinado, a gestão executiva está a cargo dos privados, mas tudo o que seja relevante e esteja fora do plano estratégico pode, como acontece em qualquer empresa, vir ao Conselho de Administração, onde o presidente, nomeado pelo Estado, tem voto de preferência. Disse-se por aí que, nesta empresa, ao contrário das outras, o Conselho de Administração nada pode decidir. Não encontrei nada que confirmasse essa ideia e, acima de tudo, parece-me ser virtualmente impossível isso conseguir-se fazer. Uma coisa é certa: o Estado estará dentro da TAP com capacidade para bloquear decisões fundamentais que não estejam no plano estratégico. E até pode, pela sua presença, garantir melhor condições bancárias.

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