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Expresso

1% que vive à custa de 99%

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Segundo o relatório da Oxfam, cerca 7 biliões de euros encontra-se em paraísos fiscais. Se fossem taxados gerariam 174 mil milhões de receitas fiscais anuais. Das 201 maiores empresas do mundo, apenas 13 não recorrem aos paraísos fiscais. É um roubo em massa que torna virtualmente impossível o funcionamento dos Estados. Perante a generalização dos paraísos fiscais, um dos principais responsáveis pelo aumento da desigualdade no mundo, estamos todos sujeitos a uma chantagem: ou reduzimos drasticamente a carga fiscal para as empresas e para as grandes fortunas ou eles têm outro lugar onde meter o dinheiro. No máximo estão dispostos a dar trocos. O funcionamento do Estado tem de ser, na prática, pago por nós, os 99%. Os Estados que permitem paraísos fiscais devem ser tratados como é qualquer Estado que ponha ilegitimamente em causa a nossa soberania, bem-estar e segurança. Para além de desmantelarem os seus próprios paraísos fiscais, as sociedades democráticas e desenvolvidas devem, em conjunto, isolar e impor sanções económicas e comerciais severas a todos os países que mantenham offshores. E, pelo menos à escala europeia, travar uma concorrência suicida que isenta quem mais tem dos seus deveres fiscais e esvazia os cofres do Estado, destruindo com isso o Estado Social

Vivemos um momento histórico que chegou um ano antes do previsto. Segundo o relatório apresentado pela Oxfam no último Fórum Mundial em Davos (que discutiu a desigualdade entre jantares de milhares de euros), o 1% mais rico da humanidade ultrapassou finalmente os restantes 99%. O número fica mais impressionante quando se diz assim: há 62 pessoas que detêm tanta riqueza como metade da população mundial. Há cinco anos eram precisos 388 milionários para chegar a tanto.

Nos últimos cinco anos, estes 62 multimilionários aumentaram a sua riqueza em 44 por cento enquanto os 3,5 mil milhões que se encontram na metade de baixo viram o seu rendimento reduzir-se em 41 por cento. Desde o início do século que a metade mais pobre beneficia de menos de 1% do aumento total da riqueza mundial, enquanto os 1% mais ricos fica com metade desse aumento. Isto contraria a ideia de que com a globalização o mundo tende para um maior equilíbrio e justiça e que a perda de dinheiro e de direitos no ocidente corresponde a um processo de redistribuição da riqueza.

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