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Expresso

O sobe e desce da campanha

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Esta campanha começou com quatro divisões. A primeira só para Marcelo, a segunda para Nóvoa e Belém, a terceira para Marisa e Edgar e a quarta para os outros. E, digo-o mais por instinto político do que com base em sondagens, acaba com tudo um pouco mudado. Na primeira, continua Marcelo, mas menos forte do que há dois meses. Na segunda ficou Sampaio da Nóvoa sozinho. Na terceira passou a estar Marisa Matias e, se o desastre não foi maior, Maria de Belém. Na quarta, está Edgar Silva, Paulo Morais e, quase a ser desclassificado, Henrique Neto. Veremos se Belém não cai para este grupo. Os outros foram para as distritais, com Tino de Rans a tentar subir. Isto aconteceu porque Marcelo abusou na dose da desdramatização, do afastamento táctico em relação ao PSD e ao CDS e da despolitização da campanha, desmobilizando um pouco mais o seu eleitorado natural. A questão é só esta: saber se Marcelo tem, como julga ter, garantido o voto da direita ou se, com a campanha que fez, o desmobilizou. E essa pode ser a diferença de haver ou não haver segunda volta. Nóvoa arrancou bem, com as vitórias claras nos debates, o que lhe deu credibilidade e afastou um pouco a ideia de ser uma “amador”. Talvez excessivamente cauteloso, por se ter que preocupar em simultâneo com vários perigos: à esquerda Marisa Matias, à direita Maria de Belém e em baixo Paulo Morais. Belém afundou-se no choradinho contra o PS e no caso das subvenções. Marisa brilhou nas subvenções e aproveitou bem o trambolhão da adversária. Edgar safou-se tão mal na rua como nos debates. Paulo Morais tem um discurso mais fácil do que Henrique Neto e aproveita o voto antissistémico. E o Tino é um gajo porreiro

A campanha acaba daqui a umas horas e este é o momento para um balanço. Ela foi globalmente desinteressante. E, ao contrário de muitos comentadores, sempre maçadíssimos com a piolheira do país e a indigência da política – não se percebendo porque dedicam a sua vida a falar das duas coisas –, eu não acho que todas as campanhas sejam desinteressantes. É verdade que são, geralmente, o pior momento para fazer um debate político sério. Mas, no meio do foguetório (e houve menos), têm momentos em que nos são dados sinais importantes sobre posições políticas, resistência e combatividade dos candidatos. É uma espécie de teste de esforço. Esta não foi. A não ser, claro, quando começaram a aparecer os casos, mesmo no fim da corrida.

Não foi porque o candidato mais destacado decidiu que a sua estratégia de campanha seria a de esvaziar a própria campanha. Contando com uma enorme taxa de notoriedade (16 anos em prime-time) dispensou cartazes, comícios a sério e até discurso político. Claro que sua vacuidade e o número de um homem só em todas as pastelarias, funcionando nos primeiros dias, acabou por cansar. E não mobilizou ninguém. Este é talvez o maior risco que Marcelo correu. Não tem a ver com a sua estratégia, globalmente compreensível, tem a ver com a dosagem. Afastar-se do PSD e do CDS é indiscutivelmente necessário. Não chegam nem para ganhar à primeira, nem à segunda. Ser visto ao lado de Passos seria tóxico. Por outro lado, o seu namoro ao eleitorado de esquerda seria impossível se a sua campanha tivesse um real conteúdo político.

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