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Marisa Matias: a pessoa certa no papel errado

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Marisa Matias não é apenas simpática. É uma excelente eurodeputada, uma política inteligente e do que de melhor e mais arejado há no Bloco. Mas fica-se com a sensação que esta candidatura é uma compensação pelo apoio a Costa. E uma compensação faturada internamente a quem mais defende esse apoio. Com a agravante da própria Marisa Matias representar os sectores do Bloco que mais naturalmente apoiariam um candidato como Sampaio da Nóvoa. Este é o seu pecado original. Marisa Matias deixou bem evidente essa fragilidade quando, no debate com Sampaio da Nóvoa, procurando distanciar-se dele (e do PS), disse que não promulgaria o orçamento retificativo, prometendo assim uma crise política para o governo que apoia. Cometeu aquele tipo de erros tácticos que tramaram o Bloco em 2011. Quando o BE tenta compensar decisões que tomou e começa aos ziguezagues costuma sair-se mal
Este é o quinto texto sobre os candidatos à Presidência. Aqui no Expresso Diário, e por esta ordem, Paulo Morais (7 de janeiro), Henrique Neto (11 de janeiro), Edgar Silva (13 de janeiro) e Marisa Matias. No semanário Expresso, Maria de Belém (9 de janeiro), Marcelo Rebelo de Sousa e Sampaio da Nóvoa.

Podia começar o texto de hoje da mesma forma que comecei o que escrevi sobre Edgar Silva. Uma das funções da candidatura de Marisa Matias é a mesma: aproveitar as Presidenciais para BE e PCP se medirem entre si, numa sucessão infantil de desforras que raramente acrescentam alguma coisa ao confronto político. Só que ao escolher Marisa Matias o Bloco jogou mais alto do que o PCP. Até porque a sua posição é, perante um candidato simpático para muito eleitorado bloquista, como é Sampaio da Nóvoa, mais complicada à partida.

Marisa Matias não é apenas simpática. É uma excelente eurodeputada, uma política inteligente e do que de melhor e mais arejado há no Bloco. Mas, tal como Edgar Silva, e de forma ainda mais evidente, é vítima da esquizofrenia da sua candidatura. Num momento em que o Bloco se empenha num apoio a um governo do PS, Marisa concorre contra um candidato mais bem posicionado, independente, à esquerda do mainstream socialista e que facilmente agrega o espírito que levou ao entendimento que agora suporta o governo. Com a agravante da própria Marisa Matias representar os sectores do Bloco que mais se bateram por este entendimento e que mais naturalmente apoiariam um candidato como Sampaio da Nóvoa. Fica-se com a sensação que esta candidatura é uma compensação pelo apoio a Costa. E uma compensação faturada internamente a quem mais defende esse apoio.

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