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Expresso

Exames: tem de mudar, mas no tempo certo e por muito tempo

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Os exames, necessários para avaliar e corrigir, canibalizaram a escola e as salas de aula. são uma bênção para os professores burocratas, um problema para os que esperam marcar os seus alunos com um pouco mais do que matéria debitada para se decorar e depois esquecer. Em vez de avaliar para melhor ensinar, ensina-se para avaliar, centrando o ensino e a avaliação em competências específicas: a memorização e a escrita. São fundamentais mas não são as únicas. O voluntarismo do anterior ministro baseou a examinite aguda numa espécie de “sabedoria popular”, sem qualquer sustentação pedagógica. Não me parece que o atual ministro erre nas alterações que agora propõe. O problema é fazê-las a meio do ano lectivo e sem qualquer debate anterior. E a principal razão para esta pressa parece ter vindo das exigências do BE e do PCP. Mas quando o ministro ficou debaixo de fogo, não vieram em sua defesa

Num país que teve baixíssimos índices de escolaridade até há poucas décadas, em que para a maioria terminar a 4ª classe era o fim dos estudos e terminar o que agora é o ensino obrigatório garantia uma vida profissional, a overdose de exames imposta por Nuno Crato foi encarada com naturalidade. Tão natural como ter exames de acesso à faculdade, por exemplo.

Em todos os discursos, da rua ao parlamento, associam-se os exames à exigência. Na Finlândia, que em todos os rankings internacionais vai surgindo em primeiro, quase não existem. Centrar a escola nos exames é garantir uma espécie de guião que uniformiza tudo o que se passa na sala de aulas, independentemente do professor, do aluno, da turma e do meio. Uma bênção para os professores burocratas, um problema para os que esperam marcar os seus alunos com um pouco mais do que matéria debitada para se decorar e depois esquecer. Torna praticamente impossível exercitar outras competências dos alunos, permitir que se interessem por mais do que o mínimo. Com programas extensos, a preparação para os exames, em disciplinas nucleares como o português e a matemática, domina tudo. Em vez de avaliar para melhor ensinar, ensina-se para avaliar.

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