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Edgar Silva: a bandeirinha por enquanto falhada

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O campeonato de Edgar Silva é outro e, para além da óbvia falta de notoriedade fora da Madeira, o risco que o PCP correu ao lançar alguém tão inexperiente em combates nacionais foi demasiado grande. É simpático, afável, sensível aos problemas sociais que conhece de perto. Mas os debates foram desanimadores e a campanha não descola. Pouco preparado para temas mais gerais e de regime, leva um discurso decorado e não tem capacidade de reação. Ele, que na Madeira representou, quando se tornou político, numa verdadeira renovação do PCP regional, acaba por parecer mais cinzento e menos solto do que Jerónimo de Sousa. Injustiças da política mediática. Mas a injustiça pode ser ainda maior. Em quase todos os debates, Edgar Silva teve de responder à mais idiota das perguntas: como é que um candidato "do povo" ia gastar 250 mil euros numa campanha. O ataque tem origem em Marcelo, que não precisa de propaganda, e conta, de novo, com a ajuda da comunicação social.

Este é o quarto texto sobre os candidatos à Presidência. Aqui no Expresso Diário, e por esta ordem: Paulo Morais (7 de janeiro), Henrique Neto (11 de janeiro), Edgar Silva e Marisa Matias. No semanário Expresso: Maria de Belém (sábado), Marcelo Rebelo de Sousa e Sampaio da Nóvoa.

Há uma originalidade nestas eleições. O PS não apoia qualquer candidato, apesar de ter dois: Sampaio da Nóvoa, com simpatia da direção atual e de quase todo o governo, e Maria de Belém, uma candidata nascida contra António Costa e em representação dos que foram derrotados por ele. O PSD e o CDS não têm candidato apesar de apoiarem um. Não é por Marcelo não se filiar nesta área política que não têm candidato. Ele é indiscutivelmente de direita. É porque este era o candidato que não queriam e, mais importante, eles são os partidos que o candidato não quer que os eleitores vejam. Não há aqui qualquer questão de convicção. O PSD e o CDS são, neste momento, um ativo tóxico.

Assim, só dois partidos têm realmente candidatos: o PCP e o Bloco. Não há nada de estratégico nestas duas candidaturas. Cumprem uma tradição: aproveitarem as Presidenciais para medirem entre si, numa sucessão infantil de desforras que raramente acrescentam alguma coisa ao confronto político.

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