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Expresso

Presidenciais: o momento guterrista de Costa

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Ao ouvir, no último fim de semana, António Costa pedir aos eleitores do PS para se mobilizarem torno de duas candidaturas não consegui deixar de me sentir de novo em 1998, a ver os temos de antena do PS a favor e contra a descriminalização do aborto. Uma decisão que para sempre marcou a imagem de um Guterres com medo da derrota e incapaz de assumir riscos. Que confundia diálogo com falta de convicção. O pior é que toda a gente sabe, na política, que opinião tem Costa de Maria de Belém e da sua candidatura. E, no entanto, qual Pilatos, decidiu dividir o seu apoio. Sendo que, no mesmíssimo dia, lançava o presidente do seu partido, Carlos César, no apoio a Nóvoa. A poucas horas de Nóvoa e Belém se enfrentarem. Ou seja, juntou-se é indecisão o pior dos cinismos. A direita uniu-se em torno de um candidato de que não gosta. À esquerda, nenhum partido com assento parlamentar apoia um candidato com reais possibilidades de vencer. Quando este será o presidente que vai lidar com o primeiro governo que nasce de uma convergência à esquerda, é obra

Ao ouvir, no último fim de semana, António Costa pedir aos eleitores do PS para se mobilizarem torno de duas candidaturas não consegui deixar de me sentir de novo em 1998, a ver os temos de antena do PS a favor e contra a descriminalização do aborto. Uma decisão que para sempre marcou a imagem de um Guterres com medo da derrota e incapaz de assumir riscos. Que confundia diálogo com falta de convicção. O pior é que toda a gente sabe, na política, que opinião tem Costa de Maria de Belém e da sua candidatura. E, no entanto, qual Pilatos, decidiu dividir o seu apoio. Sendo que, no mesmíssimo dia, lançava o presidente do seu partido, Carlos César, no apoio a Nóvoa. A poucas horas de Nóvoa e Belém se enfrentarem. Ou seja, juntou-se é indecisão o pior dos cinismos. A direita uniu-se em torno de um candidato de que não gosta. À esquerda, nenhum partido com assento parlamentar apoia um candidato com reais possibilidades de vencer. Quando este será o presidente que vai lidar com o primeiro governo que nasce de uma convergência à esquerda, é obra.

Foi um daqueles episódios que deviam ter entrado para o anedotário político mas acabaram por ser esquecidos. António Guterres tinha acabado de aceitar referendar uma lei aprovada no Parlamento que discriminalizava o aborto, num acordo nunca muito bem explicado com Marcelo Rebelo de Sousa. Nessa campanha, para que o ziguezague fosse bem sinuoso, os tempos de antena do PS foram divididos pelo “sim” e pelo “não”. Nuns, apareciam militantes socialistas a apelar ao voto na despenalização, noutros, em menor número, apareciam militantes socialistas a apelar o voto contra a nova lei. Nunca um partido português, incapaz de assumir uma posição clara e arcar com as responsabilidades pela escolha que fizera, dera sinal de tanta cobardia política.

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