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Henrique Neto: o ajuste de contas do Nostradamus incompreendido

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Henrique Neto adivinhou tudo e ninguém deu por nada. Escreveu livros que ninguém leu, disse frases que ninguém ouviu. Tudo o que aconteceu ele previu. É irem ler. É irem ouvir. E essa qualidade mediúnica é, foi ele próprio que o disse, a sua grande vantagem política. O azedume e o ajuste de contas com o PS deu-lhe a energia para brilhar numa campanha que, até aos últimos debates, se manteve mansa. E assim sendo, colocou-o entre os candidatos de que se fala. Mas em nenhum momento Henrique Neto falou para aquele que aparentemente seria o seu eleitorado natural. Pelo contrário, com a tentativa pouco séria de Marcelo se deslocar para a esquerda, Henrique Neto tornou-se, no discurso, o único candidato que assume uma parte razoável do legado de Passos Coelho. A direita ganhou, finalmente, dois candidatos. Passos apostava que Belém cumprisse esse papel, roubando votos à direita que não quer Marcelo. Acabou por lhe sair Henrique Neto

Este é o segundo texto sobre os candidatos à Presidência. Aqui no Expresso Diário, e por esta ordem: Paulo Morais (7 de janeiro), Henrique Neto, Edgar Silva e Marisa Matias. No semanário Expresso: Maria de Belém, Marcelo Rebelo de Sousa e Sampaio da Nóvoa.

Até aos confrontos entre Marcelo Rebelo de Sousa, Sampaio da Nóvoa e Maria de Belém, e com exceção de uma prestação feliz de Marisa Matias com Marcelo Rebelo de Sousa, os debates não fizeram diferença para quase ninguém. E digo “quase” porque os debates menos importantes fizeram diferença para um candidato: Henrique Neto. O estilo Medina Carreira, mas apesar de tudo mais sofisticado, fez dele o candidato "antissistema". As aspas não são por acaso. Henrique Neto não podia fazer mais parte do sistema. Como Medina Carreira, aliás. E os seus permanentes piscares de olho ao “bloco central” tornam isso muito claro.

A falsa ideia de que está de fora do sistema resulta do facto de, fazendo parte de uma geração que contribui para o nascimento da democracia, ter digerido mal o esquecimento. E o ressentimento por não ver reconhecido o papel que terá tido no aparelho político e partidário confunde-se com coragem e sentido critico. Como Medina Carreira, foi de dentro, não contou o que achava que devia contar e, não se conformando com isso, revoltou-se contra os seus. No caso de Henrique Neto, revoltou-se contra o partido a que pertranse e que nunca o valorizou tanto como ele acha que merecia. Não é por acaso que os principais alvos de Henrique Neto são a governação do PS e os candidatos concorrentes dessa área.

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