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Expresso

E acabou o passeio da Miss Portugal

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Para pôr fim à tentativa de despolitizar estas eleições, fazendo delas um mero concurso de notoriedade, Sampaio da Nóvoa despiu Marcelo do travestismo político que anda a experimentar há dois meses. Depois de exibir os galões das posições que tomou e da experiência política que tem, Marcelo viu-se obrigado a esconde-los. O político que tomava posições enquanto Sampaio da Nóvoa se calava, afinal falava como “analista” e por isso não deve ser recordado. O homem com experiência de governo era apenas secretário de Estado e não deve ser responsabilizado. O passeio de Marcelo foi atrapalhado. E quem o atrapalhou foi o “inexperiente” Sampaio da Nóvoa. Foi ele que lembrou a Marcelo que ele não é candidato a Miss Portugal. E entrou a matar, fazendo que a simpatia agradável de Rebelo de Sousa se desfizesse. Isto sim, é campanha eleitoral

Há anos que ouvimos um monólogo de Marcelo Rebelo de Sousa. A sua simpatia e sagacidade ocultam um ziguezaguear constante e uma habilidade retórica que muitas vezes tem a função de não o comprometer. Foi no conforto da companhia solitária de um jornalista, e não em debate, que Marcelo foi construindo a sua imagem política recente e fez a caminhada para Belém. Preparava-se agora para um passeio, recolhendo os louros da sua merecida notoriedade. Sem custos de campanha, aliás, como recorda num inesperado piscar de olho a um conveniente populismo.

Nesta campanha, Marcelo contava não ter de tomar posição sobre nada. Como convém, para pescar votos longe das suas águas, tentava passar uma ideia: um Presidente não tem posições políticas. Isso faz dele um representante de facção. Marcelo está acima disso, como deve estar o Presidente. Está até acima das posições políticas que teve e que eventualmente ainda tenha. Não é para falar de política que se faz esta campanha. Na realidade, nem se percebe para que se faz campanha. As eleições não são mais do que um concurso de simpatia.

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