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Expresso

A agenda ideológica do populismo tabloide

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O populismo tabloide tem três alvos preferenciais: os serviços públicos (incompetentes e decadentes); o poder político eleito (corrupto e vivendo das mordomias); e os mais pobres, sejam os beneficiários de apoios sociais, sejam imigrantes. Em todos os casos, a agenda do populismo tabloide passa pelo enfraquecimento do Estado Social e do Estado Democrático. Pelo contrário, são valorizadas e exaltadas as funções repressivas do Estado. Curiosamente, é muito raro encontrar no “Correio da Manhã” qualquer podre sobre uma empresa privada. A não ser, claro, que um empresário caia em desgraça e seja expulso do Olimpo, como aconteceu a Ricardo Salgado. Aí pode ser triturado. O populismo tabloide, que na sua agenda ideológica se aproxima, em geral, do discurso da extrema-direita, é o que, num momento de privatização de todos os domínios da vida pública e de redução do Estado às suas funções securitárias, melhor serve os interesses económicos da pequena minoria que lucra com o atual “status quo”. Ele não é politicamente neutro

Em todos os países ocidentais, e com muito raras excepções, quase todo o populismo tabloide tem a mesma agenda ideológica: conservadora nos costumes, liberal na economia, tendencialmente xenófoba e autoritária, defende o Estado policial e ataca a imagem do Estado Social. Esta agenda ideológica serve, no essencial, os interesses do poder económico. Parecendo marginal e contestário do poder, o jornalismo tabloide é, na realidade, a voz mais eficaz do poder que conta.

Tem três alvos preferenciais: os serviços públicos (sempre apresentados como incompetentes e decadentes); o poder político eleito (sempre corrupto e vivendo das mordomias); e os mais pobres, sejam os beneficiários de apoios sociais, sejam imigrantes. Em todos os casos, a agenda do populismo tabloide passa pelo enfraquecimento do Estado Social e do Estado Democrático. Pelo contrário, são valorizadas e exaltadas as funções repressivas do Estado.

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