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Expresso

CDS precário

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O CDS passou a ser Paulo Portas. Quase todos os antigos líderes e principais dirigentes abandonaram o partido. O discurso institucionalista do CDS contrasta com a total incapacidade de preservar a instituição das pessoas que ocupam os cargos. O que pode querer dizer que o CDS não tem um espaço político próprio que justifique uma identidade que atravesse as diferenças entre lideranças. Tem líderes que constroem, destroem e reconstroem uma identidade precária. Na sucessão de Portas o CDS terá de escolher quem construa uma nova identidade. Desta vez, depois de sucessivas purgas, na continuidade. O novo líder do CDS terá de conviver com o “síndrome Ribeiro e Castro” e o “complexo Manuel Monteiro”. O “complexo Manuel Monteiro” impede-o de contrariar o seu criador, sabendo que, quando se afirmar, pode ser destruído por ele. E o “síndrome Ribeiro e Castro” determina que qualquer líder que suceda a Paulo Portas pode ser apenas um intervalo na liderança de Paulo Portas. Quem sobreviver as estas duas fatalidades levará o CDS a outro ciclo político. Talvez desta vez Portas até o queira. Veremos se consegue

Todos os partidos portugueses já passaram pela dura experiência de garantir a sucessão do seu líder histórico. Com o PCP, a sucessão de Álvaro Cunhal correspondeu à liderança fraca e ziguezagueante de Carlos Carvalhas, que depois de ter correspondido a uma promessa de abertura e renovação do partido, acabou, por intervenção direta de Cunhal, num processo de fechamento e purga interna.

Com o PSD, a verdadeira e dolorosa sucessão foi a de Cavaco Silva. Sá Carneiro, figura histórica e fundadora, não esteve tempo suficiente na liderança nem ocupou tempo suficiente cargos governativos para ser difícil de substituir. O problema foi mais simbólico do que político. E o facto de não estar vivo permitiu que qualquer sucessor assumisse o seu legado sem contrariedades. Ainda assim, o PSD viveu anos turbulentos depois da sua morte. Mas não foi uma transição tão prolongada como a que viveu depois de Cavaco. A ele seguiram-se lideranças sem rumo – Fernando Nogueira, Marcelo Rebelo de Sousa, Durão Barroso (que conseguiu vencer eleições mas rapidamente abandonou o barco), Pedro Santana Lopes, Marques Mendes, Luís Filipe Menezes, Manuela Ferreira Leite. Passos Coelho foi o primeiro líder pós-Cavaco com um destino para o partido. Um destino trágico e que pode deixar o PSD muitos anos em apuros. Mas um destino.

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