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Expresso

Um calote aos privados é menos grave do que um assalto aos contribuintes

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O que o Novo Banco oferece aos seus credores é um calote. Mas o que se andou a fazer aos contribuintes é um assalto. Porque ao contrário dos privados, os contribuintes nunca ganhariam nada com um investimento que não fizeram. Não podem ser obrigados a assumir qualquer risco por decisões que não tomaram. Não é uma questão de culpa, porque os investidores não tiveram culpa nenhuma. É uma questão de responsabilidade. A decisão tomada pelo governo em relação ao Novo Banco é um sinal positivo. Temos outros na Europa. Um sinal de que o poder político começa finalmente a reagir ao cansaço dos cidadãos. Esperemos que se generalize e que nunca mais alguém confie num sistema bancário por partir do princípio que no fim o Estado paga a fatura. São investidores que têm de correr riscos, assim como são eles que recolhem os lucros. Se continuarmos a pagar os prejuízos para passar a imagem de que não há risco não estaremos a atrais investidores. Estaremos a atrair sanguessugas

Mal se tornou pública a decisão de fazer recair sobre obrigacionistas seniores do Novo Banco as novas necessidades de financiamento, tornando-os credores de massa falida, ouviu-se um pequeno coro de protestos: depois deste calote aos privados nunca mais os investidores confiarão na banca nacional. Já escrevi, a propósito do Banif, que os mercada não confiam no sistema bancário português. Seriam cegos se confiassem. Confiam no medo do poder político ver bancos falir e, por consequência, na generosidade do Estado. Esta confiança é perversa foi, como sabemos, especialmente evidente nos últimos dias do BES.

A decisão tomada pelo governo corresponde a um calote aos privada, como aqui esclareceu Pedro Santos Guerreiro? Claro que sim. Isso é um problema? Sem duvida. Os calotes são intrinsecamente errados? Claro. Mas o calote, devemos esclarecer, é de Ricardo Salgado. O Estado apenas está a hierarquizar quem perde mais e quem perde menos. É certo que o regulador falhou e que o governo anterior terá encontrado uma péssima solução. Mas mesmo quando a polícia falha não é o Estado que paga o prejuízo do assalto.

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