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Expresso

Portas retira-se e começa a contagem decrescente para Passos

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Foi a radicalização do PSD, que a autoanulação do CDS não contrariou, que levou à pressão do eleitorado de esquerda para um entendimento. As mudanças à direita levaram a mudanças à esquerda e estas teriam de levar a novas mudanças à direita. Ação, reação. Com a retirada de Portas fecha-se um ciclo. É apenas o início do processo de reconfiguração da direita portuguesa, acompanhando a reconfiguração que aconteceu à esquerda. E é assim que começa a contagem decrescente para Passos Coelho.

Deixo para outro texto o relevante legado de Paulo Portas.

Paulo Portas sabe mais a dormir do que Pedro Passos Coelho acordado. E compreendeu que o novo ciclo político não é um intervalo na governação do PSD/CDS. É um novo ciclo político que poderá durar quatro anos. E que nesse ciclo polítco o CDS tem de se autonomizar do PSD. E que para se autonomizar tem de fazer o corte com os últimos quatro anos. E talvez até tentar ocupar o espaço da direita com preocupações sociais. Portas tem sete vidas, mas já as gastou todas. Não podia fazer mais esta transformação na sua personalidade ideológica. Desta vez ninguém acreditaria. Muito menos estando na oposição e colado à memória dos últimos quatro anos de chumbo.

Passos Coelho tem apenas poucos anos de uma carreira política relevante para defender. Sabe que se partir agora já não regressa. Paulo Portas tem duas decadas para defender, com uma liderança desde 1998 (apenas interrompida por dois anos). Pode escolher o momento da partida. E escolhe o momento ideal, em que nem ganhou nem perdeu. Paulo Portas pode sair porque dele ficará, mal ou bem, muita coisa (deixo isso para outro texto). Para Passos é mais difícil. O terrível legado do último governo é tudo o que fica.

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