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Expresso

O poder oculto dos burocratas

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Depois da "saída limpa" que a cada buraco que se destapa parece ter sido mais suja, foi definido um prazo para resolver a situação do Banif: março de 2015. Passou meio ano da data limite e o silêncio cúmplice da Comissão Europeia foi total. Um banco falido em vésperas de eleições era algo que comprometia a vitória de um governo manso. Mas também teremos de ser esclarecidos sobre o papel que Comissão Europeia teve, antes e durante da intervenção deste governo, na escolha do Santander, em tão nocivas condições para o Estado português. A forma autocrática, arbitrária e pouco transparente com que organismos ligados à Comissão Europeia lidam com as crises financeiras nos países periféricos é o caldo ideal para a corrupção

Já muito se escreveu sobre as responsabilidades de Passos Coelho e Maria Luís Albuquerque no desfecho do Banif. Também já se escreveu sobre a inação de Carlos Costa, que viu rebentar dois bancos durante o seu mandato, em ambos os casos com total conhecimento da situação. Já se falou dos efeitos catastróficos da solução que sobrou a António Costa. Não se falou, mas devia falar-se, das responsabilidades da própria administração do Banif. Mas de fora do radar têm estado os homens e mulheres sem rosto da Comissão Europeia. Burocratas que ninguém elegeu e ninguém julgará.

A carta da comissária europeia para a concorrência, entretanto tornada pública, deixa bem clara a gestão política da intervenção da troika em Portugal. Tudo foi sacrificado para defender a imagem que os burocratas queriam fazer passar da sua própria intervenção. O lixo foi varrido para debaixo do tapete para que se pudesse anunciar a milagrosa “saída limpa”, sem que a Comissão e o BCE (com o FMI) tivessem de confessar mais um falhanço, depois da Grécia. O que deixaram para trás, é cada vez mais evidente, foi uma intervenção falhada e um sistema bancário em tão mau estado como o que encontraram. Resolver a sua situação era uma das razões para um "resgate" que parece ter tido, afinal, a única função de transferir a dívida portuguesa da banca alemã e francesa para instituições públicas com instrumentos políticos suficientemente eficazes para garantir a cobrança, até ao último cêntimo.

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