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Expresso

Passos e o rectificativo: se correr o bicho pega, se ficar o bicho come

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Já se percebeu que será o PSD a viabilizar o orçamento retificativo. Pode até ser que esta seja a oportunidade dos dois partidos de direita mudarem de estratégia: PSD abandona o discurso da ilegitimidade, CDS afasta-se do PSD. Perante o voto negativo do PCP e a improbabilidade do governo poder ceder às exigências do BE, o PSD poderia cumprir a sua promessa de nunca dar a mão a Costa e pôr em causa o seu governo. Isso teria, no entanto, um problema: pioraria o ainda mais a gravíssima situação do Banif e criaria uma crise política em torno do mais incómodo dos assuntos para o Passos Coelho. Se, por outro lado, deixa passar o rectificativo, como tudo indica que fará, violando a promessa de nunca socorrer o PS quando PCP e BE falhassem, assina, por assumir a excecionalidade do tema, uma confissão de culpa perante o que sucedeu ao Banif. Passos ficou numa situação curiosa: se votasse contra arrastava o país para uma crise política causada pelo Banif, um dos seus piores legados; se se abstém, violando o que disse que faria, assume a sua responsabilidade no caso. Se corresse o bicho pegava, se ficar o bicho come

E agora vem o orçamento retificativo. Um orçamento que é todo do PSD e do CDS. Não vou repetir o que já aqui escrevi: depois de enterrar 700 milhões no Banif, este assunto foi deliberadamente empurrado, primeiro, para depois de uma suposta “saída limpa” e, seguidamente, para depois das eleições. Uma postura que, até demasiado tarde, contou com a cumplicidade da Comissão Europeia que acordou para a urgência da resolução do problema depois de um novo governo tomar posse.

O PCP vai votar contra. Ele não entra no âmbito do acordo à esquerda. Ele nem sequer entra nos orçamentos que a esquerda se comprometeu a negociar para aprovar. Ainda assim, esta forma de apoiar um governo parece-me demasiado confortável. Se o PCP vota contra teria o dever de propor uma solução praticável e pormenorizada , que não afectasse os contribuintes e defendesse a economia. É isto que os partidos políticos estão obrigados a fazer. Ainda mais os que suportam uma maioria.

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