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Expresso

Que para Espanha vão bons ventos de Portugal

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O facto de em Espanha se viver uma situação semelhante à portuguesa resulta do mesmíssimo impasse: o povo não quer Rajoy (que desce de 44,5% para 28,7%) e não confia no PSOE (que desce de 28,7% para 22%). Em resumo: o povo recusa a agenda da direita mas não encontra no centro-esquerda a alternativa que esta tinha obrigação de lhe oferecer. Na Grécia o eleitorado resolveu isso rapidamente, substituindo PASOK por Syriza. Em Espanha e em Portugal, ficou apenas o aviso. Claro que o PSOE pode decidir não seguir o exemplo do PS e em vez de se tentar entender com a esquerda manter uma aliança estratégica com a direita. Optaria pelo caminho do PASOK e muito provavelmente teria o seu destino. Se assim for, o Podemos terá muito por onde crescer e a Espanha muito que sofrer. Ou pode seguir o exemplo português e contribuir para uma maioria parlamentar que represente a maioria dos eleitores e ajude a mudar o rumo da Europa. A sul e a norte o centro-esquerda que não se soube distinguir da agenda de direita está cercado. A norte, vê os seus votos irem para a extrema-direita nacionalista. A sul, para os partidos à sua esquerda. Já lhe foi dito pelos eleitores o que tem de fazer: diferenciar-se e liderar uma alternativa. Ou morrer por ausência de função política

Quando escrevo este texto ainda não se sabe quem governará Espanha e como o fará. Pelo menos matematicamente seria possível uma solução “à portuguesa”. Na realidade, não é “à portuguesa”. Vigora em vários países e é a solução parlamentar mais democrática, já que impede que uma minoria governe contra a vontade da maioria. Para isso seria necessário que PSOE e Podemos se entendessem e que os dois se aliassem aos partidos nacionalistas. Partidos que nunca darão a mão a um Partido Popular obsessivamente centralista. A última esperança de Rajoy – um entendimento com os Ciudadanos – não chega para ter maioria. Ninguém está a ver com quem pode ele falar.

Seja o que for que aconteça, deu-se uma revolução em Espanha. Acabou o sistema bipartário que a domina há 40 anos. Os Ciudadanos (40 deputados) e o Podemos (que, na sua lista nacional e nas três regionais, somou 69 deputados) entraram na política nacional espanhola com estrondo.

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