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Expresso

Banif: três anos a empurrar com a barriga

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O Estado meteu 700 milhões de euros no Banif (e emprestou mais 400 milhões de que faltam receber 125), garantindo 60% do capital para si. Nestes últimos anos o Banif foi um banco público mas tinha apenas um administrador não executivo. O dinheiro era nosso mas quem mandava eram os privados. Desde dezembro de 2012, o banco terá proposto oito planos de reestruturação, tendo sido todos chumbados pela Direção Geral para a Concorrência da Comissão Europeia. Sempre exigindo uma resolução do banco. No entanto, o administração do Banif, o governo, o Banco de Portugal e as próprias instituições europeias decidiram, durante três longos anos, empurrar um problema que conheciam com a barriga. Esperaram por depois das eleições e por estarmos a pouco mais de um mês da entrada em vigor de uma nova diretiva europeia para fazer soar o sinal de alarme. Agora, as escolhas são muitíssimo limitas. Já não há como salvar o contribuinte. Até porque o contribuinte se transformou, há uns anos, no dono do banco

Ainda hoje começaremos a discutir a solução encontrada para o Banif. Os custos que seguramente terá para o contribuinte. Continuaremos a discutir, para voltar esquecer no dia seguinte, a sustentabilidade de uma banca privada que conta com confronto de ter sempre no Estado o último garante. Até se pode dar o caso de começarmos um debate que já se faz, sem qualquer conclusão, por esse mundo fora: o sentido de permitir que continuem a ser os privados a gerir um sector que, no fim, não podem ser eles a assumir as responsabilidades pelos erros que cometam.

Devo dizer que não tenho opiniões fechadas sobre nenhum destes assuntos. Sei duas coisas: o sector financeiro tem hoje um tal impacto nas economias que o discurso “deixa falir” serve apenas para os que não se querem dar ao trabalho de pensar em soluções fugirem de problemas difíceis; não é aceitável a banca continuar a viver num sistema em que socializa o risco e privatiza o lucro. Coisa que, como no fim continua a ser o Estado último responsável pela estabilidade do sistema bancário, as novas diretivas europeias não mudam.

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