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Expresso

Religião é cultura e a cultura não se suspende

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A minha divergência com os religiosos prosélitos é que recuso uma sociedade onde uma religião tem direitos especiais sobre todas as restantes. A minha divergência com os laicos militantes é considerar artificial a tentativa de expulsar a religião do espaço público (incluindo as escolas). O que moveu o diretor do Instituto Garofani, que tentou transformar um concerto de Natal numa festa de Inverno para que uma grande minoria de crianças muçulmanas não se sentisse excluída, não só foi bem intencionado como essencialmente correto. O problema é que em vez de criar pontes entre crianças e pais cristãos e muçulmanos tentou amputar uma parte da sua cultura. Em vez de exibir a diferença para a tornar compreensível, tentou escondê-la. Tentando respeitar as crianças muçulmanas (que não são convidadas na escola onde estudam), o diretor não ajudou a construir pontes. Pelo contrário, aprofundou o fosso. Em vez de tentar que cristãos e muçulmanos conhecessem, compreendessem e respeitassem as suas diferenças, tentou eliminá-las do espaço público. Melhor seria que se as crianças cristãs tivessem oportunidade de assistir e conhecer celebrações muçulmana da mesma forma que os muçulmanos podem assistir e conhecer as celebrações cristãs

O diretor do Instituto Garofani de Rozzano, próximo de Milão, decidiu cancelar as festividades de Natal por respeito às várias culturas e credos dos alunos. Cerca de 20% de estudantes não são cristãos, sendo que a maioria pertence a famílias muçulmanas. É, compreende-se, demasiada gente para ser ignorada. Não é verdade o que se escreveu em muitos jornais: o Natal não foi cancelado naquela escola. Apenas o concerto de Natal das crianças do primeiro ciclo foi adiado para 21 de Janeiro e passou a ser um concerto de Inverno, sem temas com conteúdos religiosos. E o responsável rejeitou a proposta de duas mães que queriam ensinar canções de Natal a crianças de famílias a quem o Natal nada diz. No entanto, as festas de Natal de cada sala continuaram a existir.

A decisão do diretor do instituto, Marco Parma, não caiu do céu aos trambolhões. Como explicou, no último concerto de Natal as crianças muçulmanas não cantaram, ficaram apenas paradas, absolutamente rígidas. E várias foram chamada pelos pais para sair do palco. Marco Parma não inventou um problema onde ele não existia. Tentou resolvê-lo, procurando transformar aquela festividade, numa escola multirreligiosa, numa coisa que não excluísse uma parte significativa dos alunos. Defendeu que o “respeito pelas sensibilidades daqueles que pensam de forma diferente, têm culturas e religiões diferentes, é um passo em frente para a integração”. E a sua decisão contou com o apoio dos professores.

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