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Expresso

Soldados oportunistas

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São quase sempre os mais medíocres a acharem-se no direito de decidir quem pode e quem não pode ser militante de cada partido. Os que dispensam a liberdade de pensamento, por lhes faltar o amor à liberdade e o hábito do pensamento, tendem a confundir militância com obediência. A nomeação de Pacheco Pereira para a administração da Fundação de Serralves foi motivo para uma queixa ao conselho de jurisdição da distrital de Lisboa para o expulsar do PSD. Se a nomeação de um militante do PSD para um cargo público por um governo do PS é inaceitável supõe-se que a oposta também será verdadeira. Ou seja, os cargos públicos são para ser ocupados pela malta do partido. A queixa é um favor a Pacheco Pereira: para além de uma punição por delito de opinião, a sua expulsão seria a institucionalização estatutária dos “boys” e das “girls”. Tão obedientes como soldados, na esperança de verem premiadas as suas carreiras, provam a traição de Pacheco ao exibir o prémio que terá recebido do exército inimigo

Duarte Marques, aquele deputado do PSD que tem um conflito com a língua portuguesa e uma relação especialmente crispada com a pontuação, homem especialmente próximo de Miguel Relvas, convidou Pacheco Pereira a abandonar o PSD. Parece que as ferozes criticas que este tem feito ao seu próprio partido motivam este pedido. No entanto, e Pacheco Pereira, porque não nasceu ontem, já o fez notar, nada há no comportamento do historiador que permita a sua demissão de qualquer partido democrático. Nunca foi candidato, fez campanha ou anunciou o seu voto por outro partido. Discorda da direção do PSD e torna, como é seu direito, isso público.

Leio em muitos comentários que Pacheco Pereira devia sair do PSD porque o PSD nada tem a ver com ele. Cabe apenas ao próprio fazer essa avaliação. E confesso que sempre me revolveram as entranhas os inquisidores que em cada partido, em todos os partidos, se acham no direito de dizer quem tem as posições aceitáveis e inaceitáveis. Tendo militando no PCP e no Bloco, orgulho-me de ter sido contra todas as expulsões por delito de opinião. Apenas aceito expulsões por violação de regras éticas fundamentais, corrupção, uso de dinheiros públicos ou do partido e por aí adiante. As divergências de opinião resolvem-se nos confrontos internos e livres.

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