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Expresso

Bom seria que a campanha presidencial fosse uma noite de domingo na TVI

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Ao decidir não pôr cartazes na rua Marcelo fez uma escolha lógica: quem teve direito a dez anos de tempo de antena semanal, em horário nobre e sem contraditório, não precisa de cartazes para nada. Ao fazer um discurso moral sobre os gastos com cartazes em tempo de austeridade está a ser cínico. É a campanha de rua que reduz o poder das televisões escolherem o próximo Presidente da República. Criticar os outros candidatos por se tentarem dar a conhecer é tentar ter sobre eles as vantagens de uma concorrência desleal. Temos campanhas, elas custam dinheiro e não permitimos que elas dependam apenas de patrocínios privados para que não seja quem tem dinheiro e órgãos de comunicação social a decidirem os resultados das eleições. Cavalgando um discurso demagógico sobre as campanhas eleitorais, Marcelo queria que tudo se passasse nas televisões. Queria estar jogar sozinho e sempre em casa

Na entrevista que deu a uma televisão, em que teve direito ao dobro do tempo que outro candidato, Marcelo Rebelo de Sousa explicou a sua posição sobre a propaganda política: "Os portugueses estão na ressaca de uma crise e o espetáculo seria chocante nesta situação, por isso não vou ter cartazes nas ruas". A posição de Marcelo sobre a propaganda política é, pela o grau de cinismo que transporta, um excelente mote para desmontar a demagogia contra as campanhas eleitorais e os seus suportes.

A única razão pela qual Marcelo Rebelo de Sousa dispensa os cartazes é porque teve, nos últimos dez anos, tempo de antena semanal. Não precisa de se dar a conhecer. Mais: quanto menos campanha houver melhor para ele. Dirão: mérito dele. Sim, talvez. Mas não só. Marques Mendes também tem um espaço semanal e dificilmente, ouvindo aquilo, se poderia falar de mérito. Tem espaço televisivo quem as televisões decidem que deve ter espaço televisivo. Isso não tem mal algum, escrevo eu, há muito beneficiário dessa escolha. O problema é que isso dá à comunicação social um poder sobre a nossa democracia que não devemos dar a ninguém: o poder de escolher quem pode e não pode ganhar eleições.

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