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Expresso

Egos caros

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Espanta-me que tenha sido o Bloco de Esquerda o primeiro a fazer mais questão em ter alguém no Conselho de Estado. Nem a necessidade de encontrar as prateleiras douradas para acomodar retirados justifica tanto empenho. A esquerda só consegue três representantes no Conselho se o PCP votar na lista. E o PCP não votará numa lista em que não é tido nem achado. Assim, é provável que, a bem dos acordos à esquerda, o PS dê conselheiros ao Bloco e ao PCP, ficando ele apenas com um. O que, convenhamos, faz pouco sentido. E para fazer tudo isto perde o PSD para a única coisa em que precisa mesmo dele: a nomeação do Provedor de Justiça, o presidente do Conselho Económico e Social e os representantes parlamentares no Conselho Superior da Magistratura. Todos precisam de maiorias de dois terços e todos são politicamente mais relevantes do que o cargo honorífico de conselheiro de Estado

É a primeira vez que vejo, desde as eleições, a esquerda a correr riscos desnecessários. Primeiro, porque os representantes do parlamento no Conselho de Estado não interessam para nada. São uma espécie de comendadores VIP que, muito raramente, dizem umas coisas ao Presidente. Coisas que o Presidente obviamente ignora. Compreendendo a necessidade de existir um Conselho de Estado, uma das sua principais funções é afagar os egos de ex-presidentes e a ex-líderes partidários. No caso dos últimos, eles até ganham estatuto presidenciável. É daquelas liturgias políticas que, sendo simbolicamente importantes, devem ser relativizadas. Espanta-me, por isso, que tenha sido o Bloco de Esquerda a fazer mais questão no tema. Nem a necessidade de encontrar as prateleiras douradas para acomodar retirados justifica o empenho.

A insistência do PSD em ficar com três dos cinco conselheiros é obviamente absurda. Um partido que coligado tem menos de 40% queria uma representação que correspondia a 60%, deixando os restantes 60% com uma representação que correspondia a 40%. Compreende-se agora porque falam de golpismo. A coligação julga mesmo que tem a maioria do Parlamento e indigna-se de cada vez que descobre, semana após semana, que afinal ela não é sua.

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