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Expresso

Anda um espectro pela Europa: o espectro do fascismo

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Insistimos em falar, com a boca cheia de esquecimento, nos “valores europeus”. Como se Hitler, Estaline, a Solução Final, os gulags, o colonialismo, tudo a tão poucas gerações de distância, fossem coisas que se perdem na memória do tempo. Uma grande crise financeira foi suficiente para deslaçar as frágeis solidariedades europeias que mantinham os monstros fechados nas suas caves. A ausência do perigo comunista foi suficiente para iniciar o processo de desmantelamento do Estado Social, que garantia a paz social e a estabilidade política. As nossas ilusões estão a ruir. Um dos mais poderosos países europeus pode finalmente voltar a ser governado por um um partido assumidamente xenófobo. Anda um espectro pela Europa: o espectro do fascismo. Ele exibe-se de forma descarada no novo governo polaco, no já velho governo húngaro e na Frente Nacional. Mas também na arrogância imperial alemã, na rendição securitária de Hollande, na brutalidade social imposta à Grécia. No meio disto, já nem sei ao certo o que quererá dizer o “europeísmo”. Talvez seja a memória de uma ideia que matámos com o euro. A senhora Le Pen é apenas a consequência. Os carrascos foram outros

Anda um espectro pela Europa: o espectro do fascismo. Podem chamar-lhe xonofobia, intolerância, securitarismo, austeritarismo, demagogia, o que quiserem. Com maior ou menor rigor ideológico, fascismo parece-me um nome suficientemente brutal e compreensível por todos. E convenhamos que o fascismo não nos bate à porta apenas pelas mãos dos fascistas. Em França, o discurso de Hollande e Valles confunde-se perigosamente com o daqueles que dizem querer combater. O uso de um atentado para uma desesperada e afinal falhada tentativa de conquistar popularidade política diz tudo sobre o desnorte da esquerda europeia. E, no entanto, um inquérito do Figaro dizia-nos, na semana passada, que a maioria dos franceses queria alargar o período de estado de emergência para lá da já longínqua data de 26 de fevereiro. Os franceses querem a sua liberdade limitada por mais tempo. E foi neste ambiente que a França foi a votos. E votou em Le Pen. Na realidade, torna-se difícil criticar os franceses (sim, há votos criticáveis) quando as baratas tontas do Partido Socialista se limitaram a repetir quase “ipsis verbis” o discurso do medo da extrema-direita, banalizando-o e legitimando-o.

Na Polónia, o ministro dos negócios estrangeiros disse que os refugiados sírios deviam formar um exército e voltar para o seu país para combater em vez de ficarem a “beber café na avenida Unter den Linden, em Berlim”. Repito: é o ministro dos Negócios Estrangeiros de um dos maiores países europeus. E esse país já é governado por uma espécie de Frente Nacional local. No Reino Unido, para conseguir apoio para a sua estrtaégia na Síria, Cameron não hesitou em pedir aos deputados para não alinharem com "Jeremy Corbyn e um bando de simpatizantes dos terroristas”. Assim é hoje o debate político na Europa. Chantagem e medo.

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