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Expresso

Um voto de gaveta

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Se há coisa que esta crise nos mostrou é que o Presidente é uma peça fundamental em momentos de crise política. E o próximo começa o mandato imediatamente pressionado pela oposição para que marque novas eleições. Seria sempre grave que os portugueses fossem escolher o seu novo Presidente da República na total ignorância sobre as suas propostas, as suas posições e, em alguns casos, até a sua própria existência. O total silenciamento a que a comunicação social (e em particular as televisões) está a condenar a eleições presidenciais não funciona de forma neutra. É uma espécie de veto de gaveta (ou voto de gaveta) a qualquer candidato que desafie aquele que teve direito a anos de tempo de antena em horário nobre, quando todos já sabiam que preparava o seu caminho para Belém. É, na prática, uma forma de atribuir uma vitória a Marcelo por falta de comparência involuntária dos restantes candidatos

É verdade que vivemos, no último mês, um momento político sem precedentes. Um momento que mudou a esquerda, vai mudar a direita e até mudará alguns adquiridos sobre o nosso sistema político (assunto que pretendo, um destes dias, tratar com mais atenção). É verdade que Cavaco Silva prolongou esse período de indecisão muito mais do que era necessário. É verdade que no meio disto houve um atentado de grandes dimensões em Paris e que isso teve um efeito em toda a Europa. A comunicação social tem estado distraída com outros assuntos. Mas não sei se se lembram que, daqui a 51 dias, elegemos um novo Presidente da República. Como no meio temos o Natal e o ano novo, é, na realidade, menos de um mês útil de debate político.

Se há coisa que esta crise nos mostrou é que o Presidente, não sendo seguramente o centro do nosso sistema constitucional, é uma peça fundamental em momentos de crise política. E o próximo será especialmente importante. Começa o mandato imediatamente pressionado pela oposição para que marque novas eleições, a ver se o resultado sai mais de feição.

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