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Expresso

A direita a caminho de um labirinto

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Passos Coelho e Paulo Portas têm menos de dois anos para regressar ao poder. Depois disso, dificilmente o PSD continuará pacificado e tão deslocado à direita. Depois disso, dificilmente o CDS se manterá unido ao PSD e com crescentes dificuldades de definir o seu espaço político. O discurso da ilegitimidade do governo não sobrevive mais que dois ou três meses. Ou conseguem que Marcelo lhe faça o favor de dissolver o parlamento pouco tempo depois de chegar, ou terão de penar até ao segundo orçamento. Se ele passar, Passos Coelho e até Paulo Portas terão de dar lugar a quem trate de recentrar PSD e recuperar a autonomia do CDS. Se Costa cair no próximo ano e meio, isto pode ter sido um intervalo para a direita. Se passar do segundo orçamento, a direita vai ter de se reinventar

Muito se tem escrito e falado sobre o futuro da esquerda quando uma página histórica foi virada. Quanto tempo durará este governo? Quem o fará cair? O que acontecerá a quem seja responsável por isso? O que muda em todo o sistema político-partidário quando um tabu de 40 anos foi derrubado? O passo que foi dado é daqueles que não pode deixar tudo como antes. À esquerda, isso é mais do que certo. Mas no meio vamo-nos esquecendo que também a direita vive dias decisivos.

No parlamento, sentados na primeira fila das bancadas do PSD e do CDS, Pedro Passos Coelho e Paulo Portas são um aviso para a esquerda. Uma espécie de ameaça de regresso que terá um efeito na coesão da maioria que sustenta António Costa. Quem faz apostas sobre a durabilidade deste governo devia rever as contas que foram feitas sobre a durabilidade do governo anterior. E não devia desprezar o efeito que uma previsível punição eleitoral terá nos partidos que sustentam Costa. Mesmo que venham surpresas da Europa que obriguem a recuos muito difíceis de gerir por parte do BE ou do PCP, esta aliança não será fácil de desfazer. Pelo menos enquanto Passos Coelho se sentar na primeira fila do Parlamento. Aquilo a que muitos chamam de “aliança negativa” pode bem ter mais efeitos na estabilidade do governo do que se pensa.

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