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Expresso

Portugal depois da Reforma Judicial Octávio Ribeiro (um sonho futurista)

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Houve um tempo em que este tipo de transmissões eram conseguidas sem qualquer critério, ao sabor das conveniências de cada um, sem qualquer vantagem para o erário público e para a economia e sem qualquer garantia de qualidade da informação difundida. Citações truncadas de um interrogatório ao ex-primeiro-ministro José Sócrates; imagens de pouca qualidade do ex-ministro Miguel Macedo. Tudo muito pouco profissional e muito arbitrário. Até que finalmente foram impostas regras. A bem da indústria da justiça. Hoje, felizmente, Portugal dá cartas no entretenimento judicial. Já não há lugar para amadorismos. Não faltou, claro está, como sempre que a democracia se aprofunda, resistência. Mas o povo, sabendo que quem não deve não teme, começou por vergar alguns: os processos de José Sócrates e Miguel Macedo foram marcos históricos. Desde que a Reforma Judicial Octávio Ribeiro viu a luz do dia que os portugueses confiam muito mais no sistema de justiça

O advogado de defensa entra na sala com o arguido. Apesar da agenda de contactos que tem, não foi possível ao ex-ministro acusado de corrupção arranjar um patrocinador que lhe permitisse pagar os honorários do advogado. Mas o advogado, com presença habitual na Correio da Manhã TV, para além da marca de roupa que lhe forneceu a toga, recebe uma percentagem da publicidade nos intervalos do interrogatório do Ministério Público. Houve uma polémica em torno dos direitos de transmissão de mais este interrogatório, mas a Procuradoria Geral da República decidiu optar pelo concorrente que ofereceu o valor mais alto.

Houve um tempo em que este tipo de transmissões eram conseguidas sem qualquer critério, ao sabor das conveniências de cada um, sem qualquer vantagem para o erário público e para a economia e sem qualquer garantia de qualidade da informação difundida. Citações truncadas de um interrogatório ao ex-primeiro-ministro José Sócrates; imagens de pouca qualidade do ex-ministro Miguel Macedo. Tudo muito pouco profissional e muito arbitrário. Até que finalmente foram impostas regras. A bem da indústria da justiça. Hoje, felizmente, Portugal dá cartas no entretenimento judicial. Já não há lugar para amadorismos.

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