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Expresso

O maior perigo para Costa seria Maria de Belém

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O maior risco para o governo de António Costa não é a vitória de Marcelo Rebelo de Sousa. Apesar de originário da direita e de militante do PSD, todos sabem que tem uma agenda própria e que essa agenda não passa, seguramente, por fazer favores a Passos Coelho. Pelo contrário, Marcelo é o candidato que Passos nunca quis. O maior perigo para Costa seria Maria de Belém. Não é dona de uma agenda própria, é a candidata da ala derrotada por Costa no PS e a desejada por Passos para enfraquecer PS e Marcelo em simultâneo. As candidaturas de Edgar Silva e Marisa Matias só podem existir e crescer à custa de eleitorado potencial de Sampaio da Nóvoa e só por via desta divisão Maria de Belém, mesmo ficando abaixo dos 20%, surge como candidata a uma segunda volta com Marcelo. E numa segunda volta entre Marcelo e Belém a esquerda teria de fazer uma escolha irónica: ou eleger uma representante dos que no PS (e no PSD) se opõem ao governo de esquerda ou dar a vitória à direita nas presidenciais

A atual situação política deu uma importância insuspeitada às eleições presidenciais. A insistência de Passos Coelho e Cavaco Silva (teve ontem mais um lamentável discurso carregado de ameaças e rancor) na tese de uma suposta ilegitimidade deste governo tem como principal alvo o candidato apoiado pelo PSD e pelo CDS. Querem que Marcelo se comprometa com a dissolução da Assembleia da República em abril, quando passarem seis meses das eleições, não dando tempo a António Costa para consolidar a sua posição. As Presidenciais passaram a ser o tudo ou nada para o futuro de António Costa e de Passos Coelho.

A direita sabe que Marcelo Rebelo de Sousa não cometerá o erro de se comprometer com uma dissolução. Apesar de terem tentado convencer o país do contrário, PSD e CDS valem menos de 40% dos votos. Com isso Marcelo ficaria bem distante de uma vitória na primeira volta. Mas querem garantir que não se compromete com o oposto. Garantir que não diz, como seria normal que dissesse (já disse quase mas ainda não o disse), que, a não ser que esteja em causa o regular funcionamento das instituições, não dissolverá o Parlamento enquanto o governo de António Costa tiver o apoio parlamentar necessário.

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