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Expresso

5 incógnitas, 1 boa surpresa, 3 absurdos, 5 apostas seguras e um 1 erro grave

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Há escolhas técnicas ou de mérito que são incógnitas políticas, como Mário Centeno nas Finanças, Manuel Caldeira Cabral na Economia, Adalberto Campos Fernandes na Saúde e Tiago Brandão Rodrigues na Educação. Há escolhas que, apesar de alguns riscos, são uma surpresa positiva, como Francisca Vandunen na Justiça. Há desadequações totais da pessoa ao cargo, como Augusto Santos Silva nos Negócios Estrangeiros, Azeredo Lopes na Defesa e João Soares na Cultura. Sendo que ao primeiro todos reconhecem inteligência, ao segundo todos reconhecem capacidades políticas e o terceiro reconhece em si próprio estas duas qualidades. Há escolhas que são apostas seguras, como Vieira da Silva na Segurança Social, Pedro Marques no Planeamento e Infraestruturas e Manuel Heitor na Ciência. Com a coordenação com a maioria parlamentar e a coordenação interna, respetivamente, Pedro Nuno Santos e Mariana Vieira da Silva são jovens apostas, mas também seguras, em cargos-chave para a sobrevivência do governo. Mas tirando a escolha do secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, não parece haver qualquer preocupação em tentar construir pontes políticas com os dois partidos que garantem a maioria a Costa. Não se trata de ser um governo demasiado PS, que até nem é. Trata-se da composição do governo parecer ignorar a natureza da maioria que o suporta. E isso pode, independentemente da qualidade de cada ministro, revelar-se um erro fatal

Uma hora depois de António Costa ser indigitado, já se conhecia a composição do governo. Ainda bem. Ao menos não se perdeu tempo durante a longa birra de Cavaco Silva. Entre os nomes estão 16 ministros e três secretários de Estado com funções de coordenação política fundamentais. Uns nomes eram esperados, outros são uma surpresa. Falarei apenas dos nomes sobre os quais tenho informação suficiente para ter uma opinião. Com o devido beneficio da dúvida que merece qualquer político que ocupa um novo cargo.

Antes de tudo, o ministro que antes de o ser já o era: Mário Centeno. Não sendo uma novidade, é uma das apostas mais arriscadas de António Costa. Se o PS aprendeu alguma coisa com o que aconteceu em 2011, uma delas deveria ser a de que, nos tempos que correm, o ministro das Finanças é um pilar central, com enorme poder num governo. Num governo frágil como este, o ministro das Finanças teria de ser alguém com grande experiência política e de uma lealdade ao primeiro-ministro à prova de bala. Técnicos e académicos podem ser os secretários de Estado. O ministro das Finanças é muito mais do que isso. Muitos podem achar que fez bem, mas hoje sabemos que, quando a banca e a Europa cercou o governo português, Teixeira dos Santos traiu o primeiro-ministro que o nomeou. E isso não pode acontecer. A escolha de alguém sem qualquer experiência política, com uma relação distante com o PS e ainda por cima muito pouco apreciado pelos partidos que sustentam este governo é um enorme risco. Um risco que, aliás, já deu sinais de ser difícil de controlar, com Centeno a dar entrevistas desastradas e fora de tempo e até a prometer regressar a propostas que são expressamente vetadas nos acordos assinados com os partidos. Quatro vantagens: esteve muito envolvido nas negociações com os partidos, é autor de grande parte do programa económico do PS, tem uma indiscutível preparação técnica e não tem peso político para se impor ao governo, permitindo que seja o primeiro-ministro que o faça, como deve sempre acontecer.

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