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Expresso

Cavaco não suporta que a realidade não seja cavaquista

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Não sei que decisão tomará Cavaco Silva. Sei que não é o futuro do país que o faz vacilar tanto. Nem é o futuro do PSD. Nem sequer é a sua própria popularidade. O que deixa Cavaco doente é haver tanta gente que não tem em conta a sua autoridade. É ele, que nunca se engana e que raramente tem dúvidas, dizer uma coisa e essa coisa não acontecer. É poder haver um governo que toma posse quando ele decidiu que não o devia fazer. Cavaco não é apenas, como quase todos os políticos, um incorrigível vaidoso. É um caso patológico de soberba. A soberba de alguém que, por ter tido a sorte de chegar a primeiro-ministro quando chovia dinheiro de Bruxelas, esteve sempre uns degraus acima das suas próprias capacidades. A forma como geriu toda esta crise demonstra isso mesmo. Cavaco Silva é um interminável erro de casting

Todos os políticos são necessariamente um pouco vaidosos. É impossível aguentar a o escrutínio a que qualquer político está sujeito sem compensar com uma boa dose de autoestima. Ainda assim, a maioria dos políticos costuma temperar isso com outras motivações adicionais: sentido de Estado, patriotismo, ideologia, prazer do jogo, pertença partidária. Qualquer coisa que o transcenda. Cavaco Silva não tem nada disso.

Como se viu em momentos simbólicos fundamentais, de que o 5 de outubro é apenas um exemplo, Cavaco tem uma total incapacidade de separar os cargos que ocupa da sua própria pessoa. Não tem qualquer sentido de Estado. Quem o ouve falar dos mercados ou se recorda da forma como ouviu calado, há uns anos, um ralhete insolente do presidente da República Checa também sabe que o patriotismo não lhe é automático. Faltam-lhe cultura política e leituras para ter motivações ideológicas. Cavaco é apenas cavaquista. Também lhe falta sentido de humor para gostar do jogo. E ao contrário do que se diz, nunca foi líder de facção. Quem se lembra como deixou o seu partido pendurado num tabu e tramou Fernando Nogueira sabe que Cavaco não se incomoda com a desgraça do seu partido se o PSD perturbar os seus interesses pessoais.

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