Siga-nos

Perfil

Expresso

Não tememos, não cedemos, não odiamos

  • 333

Esmagar o Daesh é uma prioridade absoluta. Mas se as armas forem a resposta, e até pode ser que sejam, o discurso vingativo apenas nos pode pôr de pé atrás. Da última vez que nos venderam esse remédio para a dor contribuímos para o caos de onde se ergueu este monstro. Uma das respostas da Europa aos assassinos deve ser reafirmar o valor da solidariedade, recebendo as primeiras vítimas da sua loucura ainda com mais determinação. Os que tentam, na Europa, virar a consternação com a carnificina contra os refugiados que nos procuram são, queiram ou não, cúmplices políticos da matança, ajudando o Daesh a impor a sua agenda de ódio

Há um tempo para chorar e outro, depois do luto e da raiva, para pensar, analisar, debater. Os que querem que as duas coisas se façam em simultâneo são os que esperam que aceitemos as suas agendas tolhidos pela dor e diminuídos na razão. Os que apelam às armas quando os corpos das vítimas ainda nem foram enterrados são os que veem na tragédia um pretexto. Não quer isto dizer que as armas nunca possam ser a resposta, apesar de raramente o serem. Quer apenas dizer que, sendo a resposta, nunca podem ser um reflexo da dor e da raiva.

Da última vez que um atentado foi usado por quem tinha uma agenda política (e até económica) muito específica, os EUA e parte da Europa (curiosamente a França não) envolveram-se, depois da ocupação do Afeganistão, na absurda guerra no Iraque. O clima de comoção e histeria patriótica que dominou por esses anos os EUA contribuiu para que se acreditasse na tese vendida por imbecis, visionários e oportunistas com negócios para fazer de que o derrube do ditador iraquiano e a invasão do Iraque permitiriam a construção de uma democracia desenhada nos gabinetes de Washington. Uma democracia que, através de um efeito de dominó, se espalharia pelo mundo árabe.

Para continuar a ler o artigo, clique AQUI