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Expresso

Porque espera Cavaco?

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O respeito pelo tempo das instituições não se confunde com a complacência com os caprichos de quem ocupa um determinado cargo. Até aqui, Cavaco Silva tinha razões institucionais para demorar o tempo que demorou, seguindo os passos que seguiu. Não tem qualquer razão institucional para deixar o país suspenso durante uma semana, para ir para a Madeira numa das mais graves crises políticas das últimas décadas. É um comportamento leviano e irresponsável. Ou então é muito pior do que isso: o Presidente decidiu dar espaço para os efeitos nefastos da incerteza, quer nos mercados financeiros quer no clima insustentável de crispação política. Se for isso, Cavaco Silva é um incendiário. Uma coisa é certa: não é, nunca foi, um institucionalista

O programa de Pedro Passos Coelho foi chumbado e, por imposição constitucional, o governo caiu. É um governo demissionário e de gestão. Sabe-se que António Costa assinou acordos com o Bloco de Esquerda, o PCP e o Verdes e que esse acordo lhe garante um apoio de maioria absoluta de deputados no parlamento. Sabe-se que esse acordo incluiu alterações ao programa do PS, o que quer dizer que o essencial do programa de governo de António Costa está pronto. O Presidente da República tem, assim, todos os dados necessários para tomar uma decisão.

Cavaco Silva decidiu, no entanto, ouvir personalidades e parceiros sociais. É direito seu ouvir quem entender.

Defendi, desde o princípio, que Cavaco Silva deveria começar por chamar Passos Coelho para que este formasse governo. Que deveria ser a Assembleia da República a decidir se esse governo tinha ou não maioria. E só depois Cavaco Silva deveria, caso fosse necessário, chamar o líder do segundo partido mais votado.

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