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Expresso

Fui ao dicionário ver o que quer dizer oposição

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Para Francisco Assis o PS deveria afirmar-se como o grande partido da oposição. Fui ao dicionário ver o que quer dizer “oposição”. Primeiro a definição mais geral: ação ou resultado de (se) opor; dificuldade, impedimento, obstáculo que se opõe à realização de alguma coisa; caráter ou natureza do que é oposto; contraste entre duas coisas contrárias. Depois a definição política: esforços que se opõem a um governo para o estorvar nos seus atos, para o paralisar na sua ação ou para expulsá-lo do poder; partido de resistência contra o governo; lado das assembleias legislativas em que se sentam os indivíduos e partidos que são contrários ao governo. Lido isto, tenho dificuldade em perceber como pode o PS afirmar-se como grande partido da oposição quando estaria obrigado a votar favoravelmente todas as propostas essenciais do governo e contra todas as propostas essenciais da oposição ou a abster-se em todas elas. Para fazer o que Assis propõe o PS não seria oposição a Passos, mas um aliado condicional. Na realidade, seria para Passos exatamente o mesmo que o BE e o PCP serão para Costa. Com a atual composição do Parlamento ou o PS negoceia para governar ou negoceia para apoiar um governo. Ser oposição sem apresentar uma alternativa não é uma opção

Francisco Assis defende que o PS não deve fazer acordos com o PCP e com o Bloco de Esquerda. Em declarações dadas em 1999, quando o PCP defendia as mesmas coisas que defende hoje, Assis encontrava razões para pensar que uma governação que contasse com os comunistas seria uma possibilidade. Hoje acha que não. Não acha por causa das exigências do PCP. Assis desconhece o acordo com os comunistas e por isso não pode ser com base nele que definiu a sua posição. Hoje, ao contrário de antes, acha que o entendimento com os comunistas é estruturalmente impossível.

Depois do que aconteceu nos últimos cinco anos não é fácil compreender esta evolução, que vai, aliás, em contraciclo com a evolução dos sentimentos da maioria dos socialistas. Se dantes o inimigo eram os comunistas, hoje parece ser evidente que é com a direita que encontram o maior contraste político. Não porque o PS tenha mudado, não porque o PCP tenha mudado, mas porque o PSD mudou muito. Disso já falei ontem. O que me preocupa, depois de ver a entrevista de Assis à TVI, não é aquilo que ele é contra. É a dificuldade que tem em dizer o que quer. Nisto, começa a parecer–se com o PCP e o Bloco do passado: não quer a direita no governo, não quer o PS no governo, quer fazer oposição sem saber bem para conseguir o quê.

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