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Expresso

Jornalista não julga, juiz não censura

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Se a leitura da providência cautelar contra o “Correio da Manhã” fosse a mais limitada, não se poderia falar de censura. O tribunal apenas teria decidido que os jornais da Cofina não podem violar o segredo de justiça. A decisão seria redundante, apenas mais severa para órgãos de informação do grupo que tem jornalistas que se constituíram assistentes. Se, pelo contrário, a leitura for mais abrangente, estamos perante uma gravíssima forma de censura prévia seletiva, que permite decidir quem pode e quem não pode escrever sobre o mesmo tema. Se não quero dar a jornalistas o poder de julgar, recuso-me a dar aos juízes o poder de censurar

Não sinto por tudo o que o “Correio da Manhã” representa para o jornalismo português menos do um total desprezo. Trata-se de um jornal que há muitos anos usa a liberdade de imprensa para, através de uma perseguição seletiva, pessoal e sem escrúpulos, cumprir uma agenda político-partidária. Eu próprio já a experimentei, uma semana depois de correr o risco (e é mesmo um risco) de criticar este jornal.

Experimentou-o o Bispo Torgal Ferreira quando criticou o governo. Experimentam todos os que se atravessem no caminho de um jornal que tem como função organizar e manter formas intimidação mediática sobre agentes sociais e políticos.

Mas nada disto pode influenciar a forma como se avalia a providência cautelar pedida por José Sócrates e imposta pelo Tribunal da Comarca de Lisboa, que impede os jornais da Cofina de publicarem notícias sobre a Operação Marquês. A defesa da liberdade de imprensa não escolhe órgãos de comunicação social, por piores que sejam.

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