Siga-nos

Perfil

Expresso

Gato de fora com o rabo preso

  • 333

Compreendo a dificuldade de um acordo programático para o qual nenhum dos três partidos está, nas complexas circunstâncias europeias, preparado. Mas com uns no parlamento, outros no governo e um primeiro-ministro fragilizado será difícil este governo resistir ao cerco que lhe vai ser feito. Sendo do BE e do PCP a decisão de não entrar no governo, é a si que vai ser cobrada a sua estabilidade. Não apenas a objetiva – que resulta da aprovação de orçamentos –, mas a subjetiva: a não manifestação de sinais que deem ao próximo Presidente o pretexto para dissolver a Assembleia da República. Coisa que nunca aconteceria se houvesse um governo realmente maioritário. É um mau negócio para BE e PCP ficar fora do governo. A pressão que um governo apoiado pela esquerda vai sentir dos media, das instituições europeias e do futuro Presidente torna este governo num alvo fácil e quem pagará pelo seu fim será quem desertar. BE e PCP estão amarrados a um governo em que não mandam. E não mandam porque não querem. Fazem mal

As cenas dos próximos capítulos são previsíveis. Passos Coelho apresentará um programa de propaganda para dificultar a vida ao PS. Depois chegará a hora da verdade. O expediente do governo de gestão perdeu todo o espaço que tinha e não há, neste momento, praticamente ninguém que não tenha compreendido a sua inconstitucionalidade. Ou o Presidente tira da cartola um governo de iniciativa presidencial, que não vejo como vá ter qualquer futuro, ou vai ter mesmo que engolir uma manada de elefantes e chamar António Costa para governar.

E aí, imagino que lhe apresente uma lista de condições o mais difíceis possíveis para o resto da esquerda assinar e totalmente inúteis para um governo que vai ser do PS. Coisas que passem pela conversão escrita do PCP e do BE ao euro, à NATO e até ao Tratado Orçamental. Na linha da infantil resolução que PSD e CDS queriam discutir no parlamento. Não sei se será isto, mas será qualquer coisa que dificulte a solução, porque já é mais do que evidente que este Presidente não anda aqui para procurar saídas, mas para alimentar uma crise política que permita ter eleições o mais depressa possível. Eleições que deem à direita o resultado que não teve agora.

Para continuar a ler o artigo, clique AQUI