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Expresso

Cavaco é o maior aliado de Costa

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Jorge Coelho, que não é grande entusiasta do acordo à esquerda, resumiu: depois desta intervenção, posso dar a certeza absoluta que haverá total unanimidade no PS na aprovação da moção de rejeição do programa de Passos. No próprio dia começou a sentir-se o efeito pacificador, no que ainda houvesse para pacificar, que teve a intervenção desvairada do Presidente. Nenhum socialista, por mais centrista que seja, quer ter Cavaco como padrinho e instigador de uma rebelião interna. Do eleitorado mais à esquerda, ultrajado pelo desrespeito e desprezo do chefe de Estado, será ainda maior a pressão para que tal acordo exista. E mesmo da direita, tudo o que vi foi dirigentes e comentadores muito pouco animados, a tentar moderar a interpretação das palavras de Cavaco. Este discurso fez mais pelo processo negocial entre PS, Bloco e PCP do que muitas rondas de negociações. E fez mais pela coesão dos deputados do PS do que qualquer ameaça disciplinar. Cavaco Silva é, neste momento, o maior aliado de Costa

Quem diz que Cavaco Silva é previsível está sempre a espantar-se com a sua ousadia. Quem diz que é um institucionalista está sempre a ter de explicar intervenções e comportamentos que em tudo chocam com a compostura institucional que se exige a um Presidente da República.

Não preciso de recordar a novela das escutas que nunca existiram, do discurso vingativo de vitória, na noite das eleições em que foi reeleito com a mais baixa votação de sempre na reeleição de um presidente, ou a ausência no dia 5 de outubro.

Cavaco sempre confundiu o cargo que ocupa consigo mesmo, as suas angústias e as suas opiniões. Mas devo dizer que até a mim Cavaco conseguiu surpreender pela negativa.

Não apenas esperava como defendi desde o início que o Passos Coelho fosse o primeiro líder político a ser chamado para formar governo.

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