Siga-nos

Perfil

Expresso

E se muda quem reparte, quem fica com a pior parte?

  • 333

Do que se conhece das condições postas, Bloco e PCP estarão a negociar a reposição de rendimentos direitos e indiretos (apoios sociais, reformas e salários) e a reversão de leis laborais, onde se inclui a contratação coletiva. Ou seja, a entrada destes partidos na equação governativa não muda apenas o cenário político-partidário, acabando com um tabu de 40 anos e permitindo que o PS deixe de estar refém da direita. Pode mudar a distribuição de sacrifícios. Não espanta o enorme empenho que o poder económico – que tem sempre mensageiros – está a pôr em tudo isto. Não é, como os próprios confessam, a ilegitimidade que os apoquenta. São as consequências que esta mudança pode trazer na distribuição da factura da crise

Um Presidente chama a coligação eleitoral que ficou em primeiro lugar. Esta procura apoio parlamentar. Quem o pode garantir não quer, no respeito pelos seus compromissos eleitorais, ficar ligado a um primeiro-ministro que considera ser responsável pela desgraça nacional. Não se demitindo do dever de representar os seus eleitores (e ao que parece, dizem as sondagens, continuam a ser os mesmos), explica que não vai viabilizar tal governo com tal programa e tal primeiro-ministro. Até aqui, ninguém que acredite na democracia pode criticar a legitimidade democrática desta decisão.

Perante esta opção e a impossibilidade de marcar eleições clarificadoras, o mesmíssimo líder procura uma alternativa que não deixe o país ingovernável. Não o fizesse e seria rotulado de irresponsável. Como o fez, é golpista. Feito isto, o normal é quem esteja em condições de formar um governo com apoio da maioria do Parlamento seja chamado para o fazer. E tome posse.

Para continuar a ler o artigo, clique AQUI