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Expresso

Os cães de guarda

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Acompanhar a campanha eleitoral e acompanhar estes momentos tem sido muito instrutivo sobre o estado em que se encontra a comunicação social portuguesa. Os jornalistas parecem acreditar que a partir de uma determinada fronteira estão dispensados de qualquer isenção política. Catarina Martins, extraordinária quando roubava votos ao PS, passou a ser uma perigosa radical, quando garante uma maioria de governo. Catarina, a revelação, passou a ser Catarina, a destruidora da bolsa nacional. O ambiente pré-PREC é simulado em títulos sensacionalistas que anunciam quedas na bolsa que afinal depois sobe. Entrei para um jornal em 1989. Não me recordo, nestes 26 anos, de ter alguma vez sentido um ar tão difícil de respirar no pluralismo informativo. Sentiu-se na campanha eleitoral e continua a sentir-se agora, com um cerco a um processo negocial legitimo, onde é quase impossível ouvir na televisão alguém a defender esta solução. Não me espanta. Estamos a falar de uma alternativa real. Agora é a doer. António Costa, se insistir neste caminho, vai ficar a perceber quem manda e como manda. E como a maioria dos supostos “livres pensadores” não se atreve a desalinhar com a posição de quem manda

Recentemente Arons de Carvalho escreveu um texto no “Público” onde demonstra como, ao contrário do passado, em que havia jornais sem alinhamento político, outros alinhados à esquerda e outros alinhados à direita, hoje temos apenas jornais mais ou menos desalinhados e jornais claramente posicionados à direita. Apesar de considerar que se trata de um problema democrático, conseguiria viver com isto se os jornalistas mantivessem intacto o rigor informativo e não cedessem a agendas estranhas ao seu próprio ofício. Acontece que não é isso que se está a passar. Não foi isso que se passou na campanha eleitoral, não é isso que já se está a passar na campanha presidencial – deixo para outro momento o gravíssimo episódio da despedida de Marcelo Rebelo de Sousa, na TVI, poucos dias depois de se lançar na corrida a Belém – e, acima de tudo, não é isso que está a acontecer no acompanhamento do processo negocial para a possível e legitima formação de um governo de esquerda.

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