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Expresso

Abandonar o confortável PREC

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O anacronismo de algumas reações à possibilidade de um governo viabilizado pelo conjunto da esquerda não resulta apenas de infantilidade política. É preciso agitar este fantasma para manter dividida a oposição a uma agenda que, a depender apenas dos votos com que realmente conta, não tem força eleitoral para se impor. Não está em causa, como em 1975, a sobrevivência da democracia perante a expansão de um movimento comunista apoiado pela URSS, mas a sobrevivência da democracia perante o rolo compressor de uma agenda radical e de um poder financeiro sem freios. Fazer alianças com base nos confrontos do passado é sinal de falta de pragmatismo político. Ou então, como acontece em alguns casos, apenas se quer que tudo fique na mesma e cada um cumpra o papel histórico que lhe está destinado: a direita vence, os socialistas perdem e os que estão à sua esquerda protestam. Só que a tudo mudou muito e a tradição não pode continuar a ser o que era

O Estado Social português foi, no essencial, construído pelos dois maiores partidos do regime. Um no centro-esquerda, outro no centro-direita. E com a pressão externa, sobretudo por via do movimento sindical, do Partido Comunista. Nisto Portugal não foi especialmente diferente de muitos países europeus. A nossa originalidade é outra: a nossa democracia tardia foi fundada por uma aliança inicial à esquerda e, depois, por um violento confronto entre a social-democracia (estou a falar do PS) aliada à direita, de um lado, e os comunistas e extrema-esquerda, do outro. A fractura fundamental na política portuguesa não se fez, ao contrário do que acontece em Espanha ou em França, para não ir mais longe, entre a esquerda e a direita, mas no meio da esquerda

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