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Expresso

PS+centro-esquerda=derrota. PSD+CDS=PSD

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Se tudo se confirmar, PSD e CDS ficam reduzidos à anterior votação do PSD, pode perder meio milhão de votos e só governarão com o favor do PS. Terá perdido a maioria absoluta, única possibilidade de governar quatro anos. O PS ganhou voto ao centro e perdeu voto à esquerda. Perdeu quando tudo estava do seu lado. Mais à esquerda, o Bloco suavizou o discurso, convenceu os eleitores da sua vontade de governar e graças à performance de Catarina Martins regressa aos excelentes resultados de 2009.

Na hora que escrevo há poucos dados e só leituras muito básicas podem ser feitas. Ainda assim, arrisco.

A coligação deverá perder cerca de meio milhão de votos. PSD e CDS juntos terão, provavelmente, menos do que o PSD sozinho, há 4 anos. Poderão dizer que é, ainda assim, um resultado notável, tendo em conta as políticas de austeridade. Mas é impossível transformar uma descida destas dimensões numa estrondosa vitória.

O PS deve subir, mas pouco. E subir pouco, quando em 2011 tinha acabado de entrar a troika no país e os portugueses ainda não tinham recebido 4 anos de tratamento de choque, é também notável. Dizem os comentadores que repetem mais ou menos sempre as mesmas coisas que isto aconteceu porque o PS não virou ao centro. Os resultados provam exatamente o contrário. O PS ganhou votos ao centro e perdeu votos à esquerda. O PS não ganha porque não se assume como uma alternativa. Cheira-me que o PS entrará numa enorme crise interna.

À esquerda do PS o resultado será um dos mais altos desde que há democracia. Aproxima-se dos 20%. Ou seja, foram os partidos mais à esquerda, e não o PS, que capitalizaram o descontentamento. A grande vitória foi para o Bloco, que fez uma campanha a dizer que estaria disponível para um governo de esquerda. Talvez o PS o salve do teste do algodão, não assumindo, com a direita em minoria, essa responsabilidade. Uma única dificuldade para o BE: nunca mais poderá diabolizar os que defendem com sinceridade o mesmo que o Bloco defendeu em campanha. E isto tem de ter efeitos internos. O PCP mantém o eleitorado fiel e vê um crescimento que se esperava contido pelo BE.

Se tudo se confirmar, PSD e CDS ficam reduzidos à anterior votação do PSD, pode perder meio milhão de votos e só governarão com o favor do PS. Terá perdido a maioria absoluta, única possibilidade de governar quatro anos. O PS ganhou voto ao centro e perdeu voto à esquerda. Perdeu quando tudo estava do seu lado. Mais à esquerda, o Bloco suavizou o discurso, convenceu os eleitores da sua vontade de governar e graças à performance de Catarina Martins regressa aos excelentes resultados de 2009.

(Texto actualizado às 22.20)