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Expresso

Dois factores inesperados: sondagens diárias e Costa a querer fazer de Passos

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As “sondagens” diárias acabaram por determinar todo o quotidiano das campanhas eleitorais. Foram o elemento perverso desta campanha. Mas António Costa nem pode dizer que foi vítima delas. O empate que durou mais de uma semana só o favorecia, sendo um eficaz instrumento para o apelo ao voto útil à esquerda. O problema foi o PS ter desistido de falar das pessoas reais e dos seus problemas muito concretos para entrar no rendilhado de cálculos e números, tentando pôr Costa a fazer de Passos. Se o original já é fraco, a cópia é sempre pior. Com isto, as pessoas esqueceram-se porque estavam tão irritadas. Na realidade, o problema de Costa é o problema do PS: no combate com a direita está quase sempre à defesa, deixando-a determinar as regras do jogo. Mesmo quando teve quatro anos na oposição.

Uma campanha é uma campanha. Nela não se discute política mesmo nem se poderia discutir. Porque cada frase que se diz pode ser usada contra quem a diz. Porque cada proposta afugenta eleitorado. Porque o grau de agressividade das campanhas obriga a simplismos e cautelas que são inimigas de qualquer debate inteligente. Num país com graus de literacia e politização mais elevados, a campanha serviria para conhecer candidatos e algumas novidades. Os programas estariam feitos há muito e os debates fundamentais teriam existido e sido acompanhados ao longo da legislatura. Em países com menor cultura cívica a campanha pode mesmo apagar memórias e criar novas realidades. Fartámo-nos de ver isso nestes 15 dias.

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