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Expresso

Esta vida não foi feita para o servir

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Podia contar dezenas de histórias dos taxistas da minha cidade. O homem que fala em verso, o testemunha de Jeová que nos tenta converter, a antiga professora de português formada em literatura, o velho tão malcriado que é uma surpresa renovada continuar a vê-lo vivo. São pessoas, esses seres incómodos que não fazem apenas “gostos” nas baboseiras que escrevemos. Gosto de uma cidade com taxistas rezingões, vizinhos barulhentos, restaurantes que não têm conceito, torresmo que não é gourmet e sorrisos que não foram franchisados. Não me serve este mundo em que tudo é feito para me servir. Há, neste espírito burguês entediado, que pretende ser moderno mas é apenas insuportavelmente mimado, em que as pessoas só conversam nas redes e só toleram a companhia de gatos, um frieza soporífera que me faz sentir um bárbaro de outro tempo.

Sobre a polémica do Uber já aqui escrevi, num texto que agradou aos taxistas, desagradou aos fãs daquele serviço, mas pretendia apenas deixar claro que tipo de regulação económica defendo e que tipo de atalhos me parecem perigosos, mesmo quando, pensando com o umbigo e apenas no curto prazo, são bastante populares. Quem pensa apenas como cliente quando é cliente, esquecendo-se que também é trabalhador, agente económico, empresário, tende a saltitar de forma incoerente de opinião, conforme o seu interesse particular. Mas eu, escrevendo num jornal sobre a realidade, tenho o dever de pensar para além disso. Apesar disso, e se não me levarem a mal, também me são permitidos alguns desabafos e estados de alma.

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