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Expresso

Saiu-lhe o Sócrates pela culatra

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Passos Coelho só tinha três coisas para dizer: houve Sócrates, eu resolvi as asneiras de Sócrates e este senhor que está aqui à minha frente é o mesmo que Sócrates. António Costa teve uma jogada de risco que lhe correu bem: virou Sócrates contra Passos. Por duas vezes disse: “Tem saudades do tempo em que debatia com o engenheiro Sócrates”. Chegou mesmo a mandá-lo visitá-lo. Ao brincar com o elefante na sala, Costa conseguiu desarmar Passos Coelho. De cada vez que voltava à carga o que supostamente seria um trunfo para si enterrava-o um pouco mais. E Passos não tinha plano B””. Nem tinha sequer um plano “A”. Não tinha rigorosamente nada para dizer sobre os próximos quatro anos. Tinha apostado tudo em Sócrates. E ficou sem nada.

Pedro Passos Coelho ia para o debate com uma táctica conhecida: colar António Costa a José Sócrates. Uma tática favorecida pela mensagem de apoio ao PS, que este fez logo depois de sair da prisão. Bastava, portanto, falar do passado. Uma estratégia que, em princípio, seria absurda. Absurda, porque o passado próximo foi de tal forma tremendo que recordar o que aconteceu antes deveria falhar. Só que esse passado mais longínquo transformou-se, com a prisão de Sócrates, num insuportável presente. E Passos convenceu-se, até porque a generalidade dos comentadores também se convenceram, que estando Costa refém de Sócrates, ele podia fazer o que quisesse. Bastava usar a arma fatal.

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