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Expresso

Jornalismo pepperoni

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No comportamento de matilha, em que nenhum profissional ali presente parece aperceber-se do ridículo da situação, todos continuam o cerco a um rapaz que mais nada tem para dizer a não ser que tem ali uma piza, é de extra-queijo e pepperoni e talvez seja para uma pessoa: “É pá, para lá de filmar, a sério, estão a brincar com isto ou quê?” A pergunta é certeira e feita pela única pessoa presente com algum sentido do ridículo. Não sendo isto jornalismo não devia ser feito por jornalistas. E por isso eles deveriam recusar-se a fazê-lo. Dirão que sou demasiado severo. Que a pressão dos editores é enorme, a concorrência e a precariedade obrigam a coisas destas. Talvez seja verdade. Mas no dia em que um jornalista passa a dizer que apenas cumpre ordens deixou de ser jornalista. A culpa até pode não ser dele. Mas um jornalista sem autonomia é o mesmo que um estafeta sem piza.

Os jornalistas estão acampados à porta de José Sócrates, à espera de nada para noticiar nada. Entretêm os telespectadores com o oposto do que é jornalismo: não selecionam, não dão prioridade a nada, não nos dizem nada que nós não saibamos. Um homem avança e traz com ele....traz... uma piza. Saberemos depois, graças às perguntas dos jornalistas, que é de extra-queijo e pepperoni. Uma piza para uma pessoa, responde o rapaz assustado. Percebendo que o recibo não tem o andar o jovem pergunta, num momento que começa a fazer parecer tudo aquilo uma rábula de humor, “é para vocês?” Afinal de contas, o único que ali parece ser dotado de capacidades intelectuais parte do princípio de que tanto interesse numa piza só pode resultar de fome.

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