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Expresso

Licenciados, frustrados, emigrados

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Portugal não tem licenciados a mais nem licenciados nas áreas erradas. Foi o modelo de desenvolvimento económico que fomos escolhendo que não acompanhou o investimento que fizemos em educação. Por isso temos escolas a receber candidaturas de licenciados, mestres e até doutorados para preencherem vagas para “continos”. Quem já foi a Cuba conhece os efeitos de uma sociedade que qualifica a população e depois frustra a suas expectativas. Os que estão presos a compromissos em Portugal aceitam estes trabalhos. Os restantes, porque felizmente não precisam de arriscar a vida para sair do país, emigram e oferecem a outros o fruto do investimento que fizemos

Já aqui escrevi que para além dos números do desemprego, os reais e os martelados, temos que discutir que emprego estamos a criar. Quando sabemos que mais de meio milhão dos trabalhadores recebe menos do que 419,22 euros e que de dois terços do emprego criado este ano o foi por via de contratos a prazo sabemos de que emprego estamos a falar. A mais evidente pressão do desemprego é obrigar as pessoas a aceitarem trabalhos muito mal pagos e sem o mínimo de garantias. Quando isso corresponde à decadência económica de um país, há também um processo de desqualificação da mão de obra, que acompanha a própria desqualificação da economia.

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