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Expresso

A questão do futuro não é o desemprego. É o que sobra como emprego

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Os altos níveis de desemprego real que vivemos em Portugal correspondem apenas a uma fase transitória. Este desemprego tenderá a descer à medida que for absorvido por formas extremamente precárias de emprego muito mal pago. A revolução neoliberal no emprego não começou pelas mãos da direita nem através do experimentalismo das intervenções da troika nos países periféricos. Começou com Gerhard Schroeder na Alemanha. Um em cada cinco trabalhadores alemães tinha, em 2013, um mini-emprego de 450 euros, promovido através do acesso cada vez mais dificultado ao subsídio de desemprego. Aquilo que devia merecer um debate político, que não se fique pela rama do sobe e desce estatístico, é este: que tipo de emprego estamos a preparar para o futuro? Faz sentido imaginar que um exército de precários mal pagos, potenciais trabalhadores á jorna, é compatível com as sociedades democráticas e estáveis que tivemos na Europa durante a segunda metade do século XX?

Naquelas contas de Excel em que o FMI é especialista, determinou-se que para regressar aos níveis de emprego anteriores à crise precisaremos de duas décadas. 7% só lá para 2035. Devo dizer que a minha previsão, que não é baseada em fórmulas matemáticas como a do FMI, é bem pior e bem melhor. Pior na realidade, melhor nos números. Pelo menos se continuarmos a seguir a estratégia económica que tem vingado na União Europeia.

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