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Expresso

Na mesma cabeça muitas sentenças

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É difícil explicar como é que há um súbito receio do juiz Carlos Alexandre, não acompanhado pelo Ministério Público, que Ricardo Salgado destrua provas, perturbe o processo ou fuja. Se as podia e queria destruir, já destruiu. Se era para perturbar, já perturbou. Se fosse para fugir já tinha fugido. Este mesmo juiz, que recusou a Sócrates a prisão domiciliária sem pulseira electrónica, já acha que não faz sentido usar a pulseira electrónica com Ricardo Salgado. Neste caso, o Estado já pode gastar os recursos policiais que eram inaceitáveis. A absurda concentração de poder que o sistema de ofereceu a um só juiz permite comprovar o que intuíamos: que muitas decisões da justiça se baseiam mais em vontades arbitrárias do que em pressupostos rigorosos e previsíveis

Não encontrará o leitor entre os nossos colunistas muitos que tenham sido tão críticos de Salgado quando ele ainda era o Dono Disto Tudo. Não deixo, aliás, de sentir alguma vergonha alheia ao ver tantos que beijaram o chão por onde passava Ricardo Salgado a cuspir-lha hoje na cara. Custa-me bater em quem está no chão. Nisto, e talvez apenas nisto, estou com Fernando Ulrich: “gosto de enfrentar as pessoas quando estão na mó de cima”. Agora Salgado é apenas um cidadão. Com mais recursos do que outros, o que lhe dará direito a uma melhor defesa. Mas, ainda assim, mas um cidadão com direitos que responde perante a justiça.

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