Siga-nos

Perfil

Expresso

Pela terceira vez, Alemanha contra a Europa

  • 333

Não julgo quem foi ao combate e perdeu. Fizeram bem mais do que os seus antecessores. E fizeram bem mais do que aqueles que, do confortável camarote da eterna oposição, nunca correram o risco da derrota. Mas não transformo derrotas em vitórias. Tirando o facto do fundo de 50 mil milhões ter ficado em Atenas e gerido pela Grécia e a manutenção do plano de emergência, a Alemanha conseguiu uma tal humilhação para os gregos que cumpriu o seu principal objetivo político: deixar claro que ou se aceita viver de joelhos sob a sua vontade soberana e indiscutível, por mais revoltante que ela seja, ou não se tem lugar nesta Europa. Há passos que, depois de dados, não se desfazem e ilusões que não se podem continuar a alimentar. Pela terceira vez em cem anos, a Alemanha feriu de morte o sonho da paz e da convergência entre os povos na Europa. A não ser, claro, que outras grécias se rebelem

Aquilo que foi apresentado, na sexta-feira, pela Grécia ao Eurogrupo não era, ao contrário do que li em vários sítios, o pior pacote de austeridade que a Grécia conheceu. Em janeiro era bem pior. Mas é verdade que o pacote de austeridade era, genericamente, pior do que foi recusado pelo referendo. Sobretudo no que toca ao IVA, com especial reflexo nas ilhas, fundamentais para a soberania grega, e em relação às pensões. O que ganhava com isto era aquilo que, no fundamental, levou a Grécia a ir para o referendo: abrir-se o caminho para uma reestruturação da dívida. Quem diga que a Grécia estava com pior posição negocial do que antes do referendo ignora que finalmente a questão da reestruturação da divida está em cima da mesa e que, também pela primeira vez, a Grécia teve aliados de peso neste confronto. Em especial a França e a Itália e, talvez mais importante, os EUA.

Para continuar a ler o artigo, clique AQUI