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Expresso

Como vergar um Estado

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Em vez da distribuição de lucros conforme o capital de cada Estado no BCE, eles deviam ser devolvidos à precedência. Para a Grécia seria um retorno de 1,8 mil milhões. O suficiente para pagar os 1,6 mil milhões de euros ao FMI. E isso já estava acordada. Só que o Eurogrupo fez depender essa devolução da aceitação da agenda de austeridade. Sem esse dinheiro a Grécia não pode pagar ao FMI. As instituições europeias usaram todos os instrumentos para obrigar a Grécia a vergar. Quando este texto foi escrito já a resposta do Eurogrupo à proposta grega tinha sido negativa. A dívida, que torna Grécia eternamente pedinte para pagar aos credores, continua a não estar em discussão. Quando este texto for publicado já terei chegado a Atenas. É de lá, até ao dia seguinte ao referendo, que enviarei as minhas próximas crónicas.

Ao comprar a dívida grega ao preço de saldo e receber o seu pagamento ao preço normal, o BCE e teve lucro com a dívida grega. Assim como teve lucro com a dívida portuguesa. Assim como tem lucro com os juros que cobra. Um lucro que seria distribuído conforme o peso de cada Estado no BCE. Ou seja, que beneficia quem melhor ficou com esta crise. Se este lucro pode ser considerado aceitável quando falamos de acionistas de bancos privados, é imoral numa relação entre um banco central e os Estados membros. Na União, é perverso que haja Estados a lucrar com endividamento dos seus parceiros. Porque tudo farão para que esse endividamento seja eterno.

 

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