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Expresso

Suicida-te ou morre para aí

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O suicídio era assinar este acordo. Era capitular e entregar a Grécia a mais meio ano de destruição sem fim à vista, endividando-se cada vez mais para pagar dívida. O risco de morte era assumir o que as instituições europeias não querem um acordo e a Grécia tem de pôr fim a um caminho sem futuro. Sabendo que ou aceita um acordo para o qual não foi mandatado ou envolve a Grécia num conflito que pode degenerar na saída do euro, Tsipras passou a palavra ao povo soberano. Estando tudo nas mãos dos gregos, seria normal que a Europa esperasse para saber o que querem. Mas a União Europeia, cada vez mais avessa a qualquer manifestação de democracia, montou um cerco a um Estado membro, para que o caos faça a devida campanha. Já não há União nenhuma. Há uma potência que se comporta como inimiga da democracia nos Estados.

Não espero que o poder que vigora na União compreenda a importância de manter um vínculo firme entre as decisões dos governos dos Estados membros e os povos europeus. Da última vez que um líder grego falou de referendo Bruxelas organizou o golpe de Estado e fez cair Papandreus. Só que ao contrário do PASOK, o Syriza tem apoio popular e a sua força política não depende da benção dos burocratas de Bruxelas e das chancelarias europeias. Depende, como deve acontecer em democracia, de soberania popular. E é aí que Tsipras está a tentar ir buscar as suas forças. Cito de novo Paul Krugman: “Foi um ato de loucura monstruosa por parte dos governos credores ter empurrado a coisa até este ponto. Mas eles fizeram-no e não posso de todo culpar Tsipras por se virar para os seus eleitores, em vez de se virar contra eles.”

 

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